Monólogo (homenagem ao rio Tietê) – Carvalho de Azevedo

Monólogo
(homenagem ao rio Tietê)

                   Carvalho de Azevedo – Osasco, SP 

O que ouves
E interpretas como acalento
Nada mais é que meu lamento

Insensíveis poluíram-me a nascente
Relegaram-me ao apodrecimento
Quando priorizaram o desmatamento

Alteraram meu curso natural
Represaram-me sem nenhum acanhamento
Em nome do progresso, mas da vida em detrimento

E agora quando quase nada mais me resta
Quando irreversível é meu assoreamento
É difícil, mas não impossível o meu reaparecimento

Basta que seus semelhantes
Não me tinjam com seus excrementos
Basta que apenas mudem seus procedimentos

Quero correr livre e puro como nasci
Levando água para o mais distante povoamento
Com fartura de peixes e vida em todo momento

Quero de novo saciar a sede do ribeirinho sedento
Quero de novo abrigar a piracema, festejar o nascimento
Comemorar a vida sem nenhum impedimento.

Quero desaguar lá longe
Caudaloso, majestoso, orgulhoso, ressuscitado.

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2 respostas para Monólogo (homenagem ao rio Tietê) – Carvalho de Azevedo

  1. Ly Sabas disse:

    Emocionante, Poeta. A cadência, o lirismo, a competência nos fazem acreditar que ainda é possíve. Valeu.

  2. Débira Imbassahy Borges Valentim disse:

    Parabéns Poeta! lindoooooooo!!!!!!

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