Lavoura – Anibal Beça

Lavoura 

                       Anibal Beça (Manaus, 13.09.1946 – 25.08.2009)

Calma colheita ao verbo em tom sereno
Madura mansidão que se apresenta
Nessa escolha do fruto mais ameno
Servido à mesa suada e tão sedenta.

Palavras semeadas num terreno
Quintal comum, adubo que se inventa
Na lida da lavoura em plano pleno
De quem se sabe longe da tormenta.

O fruto verde envolto nas lianas
Há muito debelado do seu travo
Hoje se escolhe o doce em filigrana.

No duro aprendizado fiz-me escravo
Cavalo de um arado em terra plana
Transpirando crepúsculos no estábulo.

_____________

* Como bem observa o amigo Celso Pestana,
 “O Anibal cultivava as palavras. Sua lavoura eram os poemas.”

Este soneto Lavoura integra o conjunto SUÍTE DA PALAVRA, reunido e ilustrado pelo próprio Anibal Beça em :
http://amazonichaijin.blogspot.com/2008/12/algumas-confisses-sobre-o-meu-iderio.html

** imagem : colheita de maçãs em São Joaquim, SC
http://saojoaquimonline.com.br/encerra-colheita-da-maca-produtores-estao-apreensivos

Esse post foi publicado em Poesia e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s