O Mar e Eu – Ivana Maria França de Negri

O Mar e Eu
                  
                  Ivana Maria França de Negri – Piracicaba, SP

Que delícia tirar férias! Bom para descansar a mente, o corpo, e arejar as idéias, que ficam mais límpidas e claras, sem a poluição dos pensamentos nocivos.

Gosto de me levantar cedinho e caminhar sozinha pela praia. Apenas eu, o mar e o céu. Os pés afundando na areia fofa, que os toca carinhosamente. O som produzido pelas ondas batendo nas pedras é como música suave para os ouvidos. O abraço, morno ainda, do sol, traz energia e bem-estar.

O cheiro característico de maresia evoca recordações de outros verões e reaviva a memória, trazendo imagens de pessoas queridas que já se foram.

O verde e o azul se cruzam no horizonte e mar e céu parecem se fundir num só tom. Algumas  nuvens branquinhas passam lentamente. Parecem carneirinhos pastando no azul.

Uma revoada de andorinhas barulhentas rompe o silêncio com seu ruflar de asas. Eu as invejo. Também gostaria de ter asas e sobrevoar as serras que vejo ao longe, os coqueirais, o mar, e descobrir os mistérios que as densas matas guardam há milênios.

Na areia macia, transparentes e minúsculos bichinhos fogem a cada passada que dou. Uma jangada cavalga o mar ao longe. De onde vem, para onde vai?

Um cão vira-lata se aproxima. Olha-me com humildade, orelhas baixas e rabinho entre as pernas. Ele não sabe qual será minha reação. Muitas pessoas devem escorraçá-lo por causa da aparência. Ele tem falhas de pêlo e cicatrizes pelo corpinho magro. Resolvo acariciá-lo e digo-lhe baixinho palavras gentis. Imediatamente ele muda de expressão, levanta as orelhas, e saltita à minha frente. Fica de pé nas patas traseiras fazendo-me festas e não pára de agitar a cauda. Resolve seguir-me em meu passeio madrugador. Vai à minha frente e, de quando em quando, pára e verifica se eu o estou seguindo. Faz amizade comigo e apanha gravetos e os traz para que eu os jogue no mar e ele entre na água para pegá-los. É uma espécie de brincadeira que parece deixá-lo feliz…

Tão fácil entender os animais… Suas reações são claras e previsíveis. Se a gente os afaga, eles retribuem, se os espantamos, vão embora e não voltam. Se demonstramos medo, alguns até latem e exibem os dentes demonstrando que são fortes.

Complicado mesmo é tentar compreender o ser humano. Dissimulado, irônico, ocultando sentimentos, diz uma coisa mas faz outra… Desisto de compreender a raça humana.

Chego à margem do riozinho que deságua no mar. Tão exuberante paisagem deveria ser eternizada em telas pelos artistas. Eles saberiam captar toda essa beleza que a natureza oferece de graça.

Neste pequeno paraíso, não há necessidade de se consultar o relógio. A gente come  quando tem fome, dorme quando está com sono, segue o relógio biológico. Longe dos celulares e dos computadores, do ar poluído e do trânsito infernal. Nos sentimos mais leves e os pensamentos fluem melhor.

A energia que emana da natureza penetra por todos os poros e a gente se revigora. Conseguimos até, por alguns instantes, esquecer as agruras da vida e colher em cada uma dessas sensações mágicas, a essência da paz.

Pena que as férias acabem logo e a gente tenha que retornar à estressante rotina. Mas um pouquinho dessa beleza sempre vai ficar impregnada em nossa alma. Despeço-me do mar. E o reverencio. Até o ano que vem!

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Foto de Paúba por Ivana Maria França de Negri.

Blogs da autora:
http://serveg.blogspot.com/
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2 respostas para O Mar e Eu – Ivana Maria França de Negri

  1. Ivana Maria disse:

    Ficou linda a postagem, Clarice. Obrigada!

    bjos

  2. Maria José Soares disse:

    Ivana
    Que lindo! Vivi cada momento em sua descrição. Senti cada emoção, que você sentiu, no decorrer do caminho que você fez. Enfim, viajei em sua viagem e revivi momentos muito parecidos do meu passado, quando morei no Rio de Janeiro e que, de vez enquando, faço em Solemar, onde temos um apartamento. A observação do céu, do mar, do horizonte e da aproximação de um animal carente de carinho e atenção. E nessa viagem, constatar como é difícil entender o ser humano. Minha eterna admiração por tanta sensibilidade, amor e respeito pelo que nos deu o Criador. Maria José Soares

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