Agonia do Rio Piracicaba, SP, sinaliza seca pior do que em 2014: região em alerta – reportagem de José Pedro Martins

Agonia do rio Piracicaba sinaliza seca pior do que em 2014: região em alerta

Na cachoeira célebre, pedras expostas predominam sobre filetes de água
(Fotos por José Pedro Martins)


Agonia do Rio Piracicaba sinaliza seca pior do que em 2014: região em alerta

José Pedro Martins

Dona Sebastiana de Lima Santos é artesã e está expondo seus trabalhos em espaço no Engenho Central, que recebe desde este sábado mais uma edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Na manhã deste domingo, 23 de agosto, ela estava inconsolável com o estado do rio, a poucos metros de onde vende suas peças. “Nunca vi o rio assim, é uma grande tristeza”, afirmou, sintetizando um sentimento geral de todos, piracicabanos ou não, que presenciavam a agonia do Piracicaba. Hoje o rio chegou a uma vazão de 11 metros cúbicos, ou 11 mil litros por segundo, uma das menores nas últimas décadas, sinalizando que a seca de 2015 pode ser ainda pior do que a do ano passado. Toda a região das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) está em alerta máximo.

Ao lado do Engenho Central, cenário desolador

O cenário é desolador entre o Mirante e o Engenho Central, que abriga o Salão de Humor. Em poucos trechos corre água. As pedras predominam. Um dos símbolos do rio Piracicaba, o chamado Véu de Noiva, é um fio quase imperceptível de água. “É só esgoto”, “onde vamos parar”, “o que fizeram com o rio” eram algumas das expressões ouvidas na manhã deste domingo de moradores ou visitantes que percorriam a ponte pênsil que dá acesso ao Engenho.

Tartaruga sob o sol escaldante: sinal de vida

Poucos sinais de vida, como os de duas tartarugas e alguns biguás sob o sol escaldante. Alguns corajosos se aventuravam a tirar fotos nas pedras expostas no meio do rio.  Muitos turistas, que foram visitar a exposição principal e paralelas do Salão de Humor, estavam impressionados com o horizonte, nada risonho, do rio Piracicaba, cantado em prosa e verso mas há décadas simbolizando o descaso, a omissão e a irresponsabilidade de gestores, com esta e as futuras gerações.

Entre o Mirante e a ponte pênsil, as pedras predominam e o Véu de Noiva desapareceu

Com a permanência da estiagem, a qualidade das águas nas bacias PCJ e outras regiões de São Paulo pode ficar pior do que em 2014, com incremento de mortandade de peixes.  No ano passado, de estiagem já forte, a qualidade da água já foi muito baixa, segundo o relatório “Qualidade das águas superficiais no estado de São Paulo 2014″, da Cetesb, a agência ambiental do governo paulista.

Um dos indicadores medidos, em 200 pontos de amostragem, é o Índice de Qualidade das Águas (IQA), que considera os corpos hídricos em geral, levando em conta o impacto dos esgotos. O documento afirma: “Considerando a série histórica disponível, para cada um dos 200 pontos, 17 apresentaram uma diminuição sistemática dos valores do IQA, indicando tendência de piora no período compreendido entre 2009 e 2014. Os rios Tietê e Piracicaba na maioria dos pontos de monitoramento apresentaram uma piora de qualidade (IQA), sendo, inclusive registradas duas ocorrências de mortandades com grande proporção e repercussão. Por outro lado, as ações de saneamento e de controle das fontes industriais mantiveram 34 pontos com tendência de melhora”.

Com a degradação da qualidade das águas, a região do PCJ continuou liderando as mortandades de peixes em São Paulo. Em todo estado foram 213 registros de mortandade em 2014, ou 22,5% a mais do que em 2013, fato que não ocorria desde 2010. Neste período a mortandade de peixes havia permanecido mais ou menos estável, em torno de 170 por ano de 2010 a 2013. As bacias PCJ foram novamente “campeãs” no triste quesito, com 50 registros de mortandades, com a bacia do rio Mogi Guaçu em segundo lugar, com 40 registros, e a do Alto Tietê em terceiro, com 23. As bacias PCJ vêm mantendo a triste liderança na mortandade de peixes desde 2009, sendo responsáveis por 24% dos registros naquele ano, 26% em 2010, 22% em 2011, 29% em 2012, 27% em 2013 e 24% em 2014.

Véu de Noiva quase desaparecido

Fonte da reportagem: http://agenciasn.com.br/arquivos/4390

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