A libélula, a estrela e o dente de leão – Pedro Brasil Jr.

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A libélula, a estrela e o dente de leão

                                                                               – Pedro Brasil Jr.

Primeiro fui dar uns passos por entre as espumas da quebra das ondas na praia.
Havia um brilho diferente naqueles cristais da areia e o som da rebentação das
ondas era agora uma canção única.
Ali, diante de toda aquela imensidão, água, céu e horizonte!…
Quantas vidas em pleno agito naquele mundo sempre tão misterioso…
O mar e sua grandeza sendo generoso por todas as partes.
Num instante, braços ágeis em meio à água rasa para mostrar o diferente numa
fração de segundos. Passou rapidamente com seu brilho próprio aquela maravilhosa estrela do mar.
Restou uma imagem na mente enquanto a brisa alisava o rosto. No céu agora, a travessia
do albatroz num suave ruflar de asas.
Mais adiante, como a surgir do nada, o inseto voraz em suas transparentes asas. E em torno de mim fez suas evoluções e seguiu adiante com a mesma rapidez com que aparecera. Lá foi a libélula e lá se foram tantos e tantos dias.
Sem a paisagem do mar, sem a brisa suave, sem o aroma do iodo, sem estrelas e sem gaivotas…
A vida se transforma em diferença de poucos quilômetros. Mas são estas pequenas distâncias que nos colocam a refletir sobre os ambientes. Aqui, o horizonte está em algum lugar além dos prédios, a brisa deve estar muito acima das poucas nuvens, as estrelas estão por lá, na imensidão do espaço. Tudo brilha numa mistura de luzes, faróis e neons.
Esta tarde gatinha com seu sol preguiçoso e convida para que se largue tudo só para ver o colorido no céu enquanto o sol se põe no oeste e segue viagem para iluminar outros povos.
Ali no gramado um dente de leão prepara sua equipe de paraquedistas para uma nova empreitada sementeira e, como menino arteiro daqueles idos tempos, apanho o dente de leão e dou um assopro com a força de uma turbina. Lá se vão as sementes carregadas pela brisa numa aventura insólita enquanto a mente desenha com seus hábeis pincéis os mais incríveis cenários.
Breve, pequenas e espumosas ondas na praia, horizonte em meio às águas, gaivota planando e, se tudo caminhar para a coincidência, talvez as invisíveis asas de uma libélula rodeiem o meu ser enquanto uma outra estrela do mar possa dar uma espiada nos seres que habitam este outro mundo.
Certeza mesmo? A de que novos dentes de leão estarão no ponto em breve para que a gente possa disfarçar um suspiro e preencher o ar com aqueles pequeninos paraquedistas que à sua maneira anunciam uma nova primavera.

– Pedro Brasil Jr. – 22/09/2016 – 17h45min

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http://guardiaodoportal.blogspot.com.br/

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