Dona Marisa Letícia ao ódio respondeu doando seu órgãos – artigo de Leonardo Boff; desenho de Jota Camelo

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Dona Marisa Letícia ao ódio respondeu doando seu órgãos

                                                                                                           Leonardo Boff, 05/02/2017
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Dona Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, morreu num contexto político conturbado. Nas palavras do próprio Lula, “ela morreu triste” e também traumatizada.

Diz-se que todas as instituições funcionam. Mas não se qualifica o seu funcionamento. Funcionam mal. Em outras palavras não funcionam. Se tomamos como referência a mais alta corte da nação, o STF, aí fica claro que as instituições estão corrompidas, incluindo a PF e o MP. Especialmente o STF é atravessado por interesses políticos e um dos seus ministros, de forma escancarada, rompe diretamente a ética de todo magistrado, falando, criticando, atacando fora dos autos e tomando claramente posição por um partido; nada acontece, no nosso vale-tudo jurídico, quando deveria sentir o rigor da lei e sofrer um impeachment. Esta situação é um sinal inequívoco que estamos numa derrocada política, ética e institucional. O Brasil vai de mal a pior pois todos os dias os itens sociais e políticos se deterioram. E havia senadores e deputados de poucas luzes que propalavam que com a derrubada do PT o Brasil entraria uma nova primavera de progresso.

O que nos parece mais grave é o fato de que se instaurou um real estado de sítio judicial. A operação Lava Jato mostrou juízes justiceiros que usam o direito como instrumento de perseguição, no caso do PT e diretamente do ex-presidente Lula. A Polícia Federal, bem no estilo da SS nazista, entrou casa adentro da família Lula, revistaram cada canto, reviraram o colchão, remexeram a penteadeira de Dona Marisa, revolveram a geladeira, carregaram o que puderam e levaram sob vara, pois é esta a expressão correta, quer dizer, coercitivamente o ex-presidente Lula para interrogatório numa delegacia do aeroporto.

Tal ato de violência física e simbólica traumatizou a ex-primeira dama. Maior foi o trauma quando foi indiciada como criminosa na operação Lava Jato junto com o marido. Isso a encheu de medo e alterou todo seu estado de saúde.

Como se não bastassem aquilo que escreveu corajosamente jornalista Hidegard Angel em seu blog na internet “os oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas”. E faço minhas as palavra de Hildegard Angel, pois representam o que posso testemunhar em mais de 30 anos de amizade entranhável com Dona Marisa e Lula: “Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo. Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou com Lula, um verdadeiro casal”.

Criticam-na porque como primeira dama não assumiu funções públicas. Mas poucos sabem que foi ela que restituiu a forma original do palácio do Planalto, resgatando os móveis e tapetes que haviam sido doados a ministros e a outros departamentos. Ela possuía elevado sentido estético. Foi fundamental na reforma da Catedral que acompanhou passo a passo.

Finalmente, foi ela que introduziu no Torto as festas da cultura popular, a celebração de seus santos de devoção que são da maioria do povo brasileiro, Santo Antônio e São João. Lá organizou o carnaval bem no estilo do povo, com as bandeirinhas, a procissão e o pau de sebo. Escândalo da burguesia descolada de nossas raízes e envergonhada de nossas tradições.

Ela sofreu um AVC que foi fatal. Visitei-a na UTI, falei-lhe ao ouvido (dizem que mesmo em coma o ouvido ainda funciona) palavras de confiança e de entrega ao Deus Pai e Mãe que ela acreditava com fé profunda. Deus a estava esperando para que caísse em seu seio materno e paterno para ser feliz eternamente. Abracei o ex-presidente que não escondia as lágrimas. Quando se constatou a morte cerebral, o coração ainda pulsava. Ele disse uma palavra verdadeira:”O coração dela pulsa porque o nosso amor vai para além da morte.”

Ao lado de tanta dor se constataram na internet palavras de ódio e de maledicência. Felizes porque morria e merecia morrer daquele jeito. Aí me dei conta de que não temos apenas pedófilos mas também necrófilos, aqueles que amam e celebram a morte dos outros. Pertinente é a frase atribuída ao Papa Francisco: “Quando você comemora a morte de alguém, o primeiro que morreu foi você mesmo”.

Diante da morte, o momento derradeiro para cada ser humano, pois vai encontrar-se com Suprema Realidade que é Deus, devemos nos calar reverentes. Ou proferimos palavras de conforto e de solidariedade ou emudecemos respeitosamente. Como podemos ser cruéis e sem piedade diante da morte dolorosa de uma pessoa conhecida como extremamente bondosa, arraigada aos mais pobres, lutadora dos direitos dos trabalhadores e das mulheres e com grande amor ao Brasil? Ao ódio ela respondeu doando generosamente os próprios órgãos para que outros pudessem viver.

Lamentavelmente, o golpe perpetrado contra o povo, impôs uma radical agenda que segundo o jornalista Elio Gaspari “é uma grande máscara, atrás da qual se escondem os velhos e bons oligarcas” (O Globo, 5/02/17, p.8). Esses odeiam os pobres como odeiam o PT e Lula e odiaram Dona Marisa Letícia.

Mas a verdade e justiça possuem uma força intrínseca. Elas arrancarão as máscaras dos pérfidos. A luz brilhará. Enquanto isso contemplaremos uma estrela no céu da política brasileira: Dona Marisa Letícia Lula da Silva.

Leonardo Boff é amigo da família Lula da Silva e articulista do JB on line.

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https://leonardoboff.wordpress.com/2017/02/05/dona-marisa-leticia-ao-odio-respondeu-doando-seu-orgaos/

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Imagem : desenho de Jota Camelo : https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1107441042711523&set=ecnf.100003369130304&type=3&theater

– Agradecemos ao amigo Celso Pestana por publicá-la.

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Lisiantos brancos – aquarela de Alexandre Zilahi

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 Lisiantos brancos

brancamente
respiram…
descansamos assim
espaços silenciosos
amplos de reticências…

– Clarice Villac

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Lisiantos brancos  – Estudo Aquarela por  Alexandre Zilahi

Para conhecer as outras artes de Alexandre Zilahi:

http://www.zilahi.com.br

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Viva Sampa ! – 25.01.2017 – José Luiz Ohi

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http://www.flickr.com/photos/ohiartes/

http://ohitine3.wix.com/ohi-ilustras

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A tolice das análises econômicas atuais – artigo de Leonardo Boff; fotos de Santino Frezza

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Tiriba-de-testa-vermelha

A tolice das análises econômicas atuais

                                                                                     Leonardo Boff, 19/11/2016

 

Sigo com atenção as análises econômicas que se fazem no Brasil e pelo mundo afora. Com raras e boas exceções, a grande maioria dos analistas são reféns do pensamento único neoliberal mundializado. Raramente fazem uma autocrítica que rompa a lógica do sistema produtivista, consumista, individualista e antiv iecológico. E aqui vejo um grande risco seja para biocapacidade do planeta Terra seja para a subsistência da nossa espécie. O título do livro de Jessé Souza “A tolice da inteligência brasileira”(2015) inspirou o título de minha reflexão: “A tolice das análises econômicas atuais”.

Meu sentido do mundo me diz que se não tomarmos absolutamente a sério dois fatores fundamentais, podemos conhecer cataclismas ecológico-sociais de dimensões dantescas: o fator ecológico, de teor mais objetivo e o resgate da razão sensível de viés mais subjetivo.

Quanto ao fator ecológico: em sua grande maioria a macroeconomia ainda alimenta a falsa ilusão de um crescimento ilimitado, no pressuposto ilusório de que a Terra dispõe de recursos igualmente ilimitados e que possui ilimitada resiliência para suportar a sistemática exploração a que é submetida. A maldição do pensamento único mostra soberano desdém aos efeitos negativos em termos de aquecimento global, devastação de ecossistemas, escassez de água potável e outros, tidos como externalidades, vale dizer, dados que não entram na contabilidade das empresas. Esse passivo é deixado para o poder estatal resolver. O que deve ser garantido de qualquer forma é o lucro dos acionistas e a acumulação de riqueza em níveis inimagináveis que deixaria Karl Marx enlouquecido.

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Chopim e tico-tico

A gravidade reside no fato de que as instâncias que se ocupam com o estado da Terra, por parte dos organismos mundiais como a ONU ou mesmo nacionais que denunciam a crescente erosão de quase todos os itens fundamentais para a continuidade da vida (uns 13), não são tomados em conta. A razão é que são antissistêmicos, prejudicam o crescimento do PIB e os ganhos das grandes corporações.

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Chopim e tico-tico

Os cenários projetados por sérios centros de pesquisa são cada vez mais perturbadores. O aquecimento, por exemplo, não cessa de aumentar como se afirmou agora em Marrakesch na COP 22. A temperatura global de 2016 ficou 1,35 C acima do normal para o mês de fevereiro, a mais alta dos últimos 40 anos. Os próprios cientistas como David Carlson da Organização Meteorológica Mundial, uma agência da ONU, declarou: “isso é espantoso…a Terra certamente é um planeta alterado”.

Tanto a Carta da Terra quanto a encíclica do Papa Francisco Laudato Si: como cuidar da Casa Comum alertam sobre os riscos que a vida corre sobre o planeta. A Carta da Terra (grupo animado por M. Gorbachev, do qual tenho participado) é contundente: ou formamos uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscamos a nossa destruição e a da diversidade da vida”.

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João-de-barro jovem

Nos debates sobre economia, em quase todas as instâncias, os riscos e o fator ecológico sequer são nomeados. A ecologia não existe, mesmo nas declarações do PT, nas quais a palavra ecologia sequer aparece. E assim, gaiamente, poderemos trilhar um caminho sem retorno, por ignorância, irresponsabilidade e cegueira produzida pela volúpia da acumulação de bens materiais.

Donald Trump declarou que o aquecimento global é um embuste e que cancelará o acordo de Paris, já assinado por Obama. Paul Krugman, Nobel de economia, já alertou que tal decisão poderá significar um grave dano aos USA e ao planeta inteiro.

Conclusão: ou incorporamos o dado ecológico em tudo o que fizermos, ou então nosso futuro não estará garantido. A estupidez da economia só nos cega e nos prejudica.

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Jacuaçu

Mas esse dado científico, fruto da razão instrumental analítica, não é suficiente, pois ela friamente analisa e calcula e entende o ser humano fora e acima da natureza que pode explorá-la a seu bel-prazer. Temos que completá-la com o outro fator, o  resgate da razão sensível, a mais ancestral em nós. Nela reside a sensibilidade, o mundo dos valores, a dimensão ética e espiritual. Aí residem as motivações para cuidarmos da Terra e nos engajarmos por um novo tipo de relação amigável com a natureza, sentindo-nos parte dela e seus cuidadores, reconhecendo o valor intrínseco de cada ser, e inventando outra forma de atender nossas necessidades e o consumo com uma sobriedade compartida e solidária.

Temos que articular os dois fatores: o ecológico (objetivo) e o sensível (subjetivo): caso contrário dificilmente escaparemos, mais cedo ou mais tarde, da ameaça de um colapso do sistema-vida.

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Crânio de ave

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Imagens : fotos de de aves brasileiras por Santino Frezza , que gentilmente se dispôs a ilustrar este artigo fundamental de Leonardo Boff, e explica suas escolhas:

“A ideia é mostrar por meio das aves, suas expressões, seus comportamentos, a preocupação que o texto expõe:
o chopim mostrando a ganância, a exploração desmedida – embora ele tenha o alimento ao alcance do bico e capacidade para pegá-lo, exige que sua mãe postiça faça isso por ele;*
o jacuaçu olhando para trás, para os estragos já feitos;
o joão-de-barro jovem e a tiriba-de-testa-vermelha olhando para os lados e vendo o que ocorre no presente,
todas as aves ostentando um ar apreensivo, preocupado;
por fim, o futuro que aguarda a exploração desmedida e o lucro a qualquer custo, representado pelo crânio de uma ave marinha e a riqueza (ilusória, minúscula),
que nessa etapa já não servirá para nada.”

*Nota : Na Natureza, o comportamento do  chopim (Molothrus bonariensis) é normal, tem sua função no delicado equilíbrio do ecossistema – não cabe a nós julgar seus hábitos do ponto de vista humano, e ele aparece aqui somente no sentido metafórico, buscando uma analogia com a exploração ilógica e antinatural que ocorre entre as pessoas. (Clarice Villac)

Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Artigo publicado em: https://leonardoboff.wordpress.com/2016/11/19/a-tolice-das-analises-economicas-atuais/

Leonardo Boff escreveu: Cuidar da Terra, proteger a vida: como escapar do fim do mundo. Record, 2010.

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Cerrado Carmim – poema de Romulo Andrade, fotos de Romulo Andrade e Daniela Rossi

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Pau terrinha


Cerrado Carmim

                                                                     – Romulo Andrade

 

Todos os anos me encanto
co’as folhas do pau-terra roxo,
ou pau-terrinha. Levadas
pelo vento forte de agosto,
quando em plena seca, ganham
uma linda coloração carmim.

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Cagaita florida

Nessa época também floresce
o ipê amarelo, o jacarandá mimoso
a cagaita, quando se veste de noiva,
algumas orquídeas nativas e
as roxas e rosadas quaresmeiras.

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Jacarandá mimoso

Clima de deserto, umidade baixíssima,
aridez é difícil suportar,
mas quando abrimos os olhos
estamos rodeados de uma beleza rara.

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Ipê amarelo

Olhe bem.
Assim é o Cerrado, quando
sentido e apreciado mais de perto.
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Parque da cidade, pau terrinha

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Fotos por Romulo Andrade; com exceção do Jacarandá mimoso, por Daniela Rossi.
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Refugiados – cartum de Silvano Mello

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http://mellocartunista.blogspot.com.br/

http://www.facebook.com/cartunista.mello

 

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A libélula, a estrela e o dente de leão – Pedro Brasil Jr.

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A libélula, a estrela e o dente de leão

                                                                               – Pedro Brasil Jr.

Primeiro fui dar uns passos por entre as espumas da quebra das ondas na praia.
Havia um brilho diferente naqueles cristais da areia e o som da rebentação das
ondas era agora uma canção única.
Ali, diante de toda aquela imensidão, água, céu e horizonte!…
Quantas vidas em pleno agito naquele mundo sempre tão misterioso…
O mar e sua grandeza sendo generoso por todas as partes.
Num instante, braços ágeis em meio à água rasa para mostrar o diferente numa
fração de segundos. Passou rapidamente com seu brilho próprio aquela maravilhosa estrela do mar.
Restou uma imagem na mente enquanto a brisa alisava o rosto. No céu agora, a travessia
do albatroz num suave ruflar de asas.
Mais adiante, como a surgir do nada, o inseto voraz em suas transparentes asas. E em torno de mim fez suas evoluções e seguiu adiante com a mesma rapidez com que aparecera. Lá foi a libélula e lá se foram tantos e tantos dias.
Sem a paisagem do mar, sem a brisa suave, sem o aroma do iodo, sem estrelas e sem gaivotas…
A vida se transforma em diferença de poucos quilômetros. Mas são estas pequenas distâncias que nos colocam a refletir sobre os ambientes. Aqui, o horizonte está em algum lugar além dos prédios, a brisa deve estar muito acima das poucas nuvens, as estrelas estão por lá, na imensidão do espaço. Tudo brilha numa mistura de luzes, faróis e neons.
Esta tarde gatinha com seu sol preguiçoso e convida para que se largue tudo só para ver o colorido no céu enquanto o sol se põe no oeste e segue viagem para iluminar outros povos.
Ali no gramado um dente de leão prepara sua equipe de paraquedistas para uma nova empreitada sementeira e, como menino arteiro daqueles idos tempos, apanho o dente de leão e dou um assopro com a força de uma turbina. Lá se vão as sementes carregadas pela brisa numa aventura insólita enquanto a mente desenha com seus hábeis pincéis os mais incríveis cenários.
Breve, pequenas e espumosas ondas na praia, horizonte em meio às águas, gaivota planando e, se tudo caminhar para a coincidência, talvez as invisíveis asas de uma libélula rodeiem o meu ser enquanto uma outra estrela do mar possa dar uma espiada nos seres que habitam este outro mundo.
Certeza mesmo? A de que novos dentes de leão estarão no ponto em breve para que a gente possa disfarçar um suspiro e preencher o ar com aqueles pequeninos paraquedistas que à sua maneira anunciam uma nova primavera.

– Pedro Brasil Jr. – 22/09/2016 – 17h45min

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http://guardiaodoportal.blogspot.com.br/

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