Michel Foucault – Filósofos… (fragmentos)

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Não estou certo de que a filosofia exista. O que existe são “filósofos”, isto é, certa categoria de pessoas cujas atividades e cujos discursos são muito variados de uma época para a outra. O que os distingue, como a seus vizinhos, os poetas e os loucos, é a divisão que os isola, não a unidade de um gênero ou de uma doença.
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Creio que existe um certo tipo de atividades “filosóficas” em domínios determinados, que consistem, em geral, em diagnosticar o presente de uma cultura; é esta a verdadeira função que podem ter hoje os indivíduos a quem chamamos filósofos.

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“O trabalho de um intelectual […] é, através das análises que ele faz nos domínios que são seus, reinterrogar as evidências e os postulados, sacudir os hábitos, as maneiras de fazer e pensar, dissipar as familiaridades aceitas, retomar a medida das regras e das instituições.”

Michel Foucault, fragmentos, in Foucault, Mestre do Cuidado, de Salma Tannus Muchail.
(fragmento do livro em fase de revisão, a ser publicado pela Intermeios Editora.)

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Fotos por Clarice Villac, florzínias & joaninha.

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Michel Foucault – “O uso dos prazeres” (fragmento)

recriar

“De que valeria a obstinação do saber
se ele assegurasse apenas a aquisição dos conhecimentos
e não, de certa maneira, e tanto quanto possível,
o descaminho daquele que conhece?
Existem momentos na vida nos quais
a questão de saber se se pode pensar
diferentemente do que se pensa,
e perceber diferentemente do que se vê,
é indispensável para continuar a olhar ou a refletir.”

Michel Foucault, in O uso dos prazeres.

(imagem: recriação de foto de livro, por Clarice Villac.)

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Índios, guardiões da Floresta – cartum de Gilmar Machado

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Teclas Esquecidas – crônica de Pedro Brasil Jr

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Teclas Esquecidas

 . . . . . . . . . . . . . . . .  – Pedro Brasil Jr

Não era para te esquecer no fundo de uma caixa de papelão guardada no forro da casa.
Não era para esquecer a quantidade de palavras que juntos compartilhamos.
Eu através da mente e você através dos tipos.
E tipos de papéis que deram uma voltinha em seu rolete e que receberam através de ti o ímpeto das frases puras, das crônicas saudosistas e dos tantos escritos sobre filatelia e numismática.
Foram tantos prêmios…
Já nem recordo direito deles porque até as medalhas estão numa gaveta esquecida.
Agora, minha amiga, tudo é eletrônico, rápido, imediato e devo confessar que me faz uma falta danada aquela música composta por “tecs-tecs” que só você tinha a capacidade de compor.
E as madrugadas adentro no silêncio do meu quarto ou da minha sala, onde juntos extravasávamos a inspiração?
Eu só invocava às vezes é com as cores de sua fita. Aquele vermelho e preto que não vinha de encontro às cores do meu time. Mas tudo bem; nada nesta vida pode ser assim tão perfeito…
Mas saiba que ainda preservo em pastas muitos dos textos que elaborei com a sua ajuda. Já são papéis amarelados pelo tempo, mas a essência jamais se perderá.
E você no conceito geral é simplesmente uma “máquina de escrever” onde meus dedos caprichosamente dedilhavam as teclas como um pianista o faz em sua “máquina de notas”.
Mas cá entre nós: se não fizemos música, tivemos a honra de fazer escritos, de fazer bonito, de varar a noite em compromissos sem perceber que outras inovações nos iriam
separar um dia.
Coisas da vida, minha amiga. Mas a saudade é enorme e saiba; às vezes me dá uma vontade de tirar você desse exílio e retomar algumas linhas que nem lembro onde foram parar.
Quem sabe uma hora dessas a gente se encontre para fazer uma madrugada ao melhor estilo da melhor poesia…

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Curitiba, 17.06.2019.
Esta imagem me foi enviada por minha irmã Marina Brasil no começo de junho de 2018. Poucos dias depois ela nos deixaria.

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Imagem enviada por Pedro Brasil Jr.

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Educação & Criatividade – cartum de Silvano Mello

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Fake News – cartum de Gilmar Machado

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Quando a moringa suava – crônica de Pedro Brasil Jr

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Quando a moringa suava

                                                Pedro Brasil Jr – 24/01/2019

Quando menino morei num interessante solar construído em madeira na época da escravidão, então localizado na cidade paranaense de Palmeira. Nele, segundo consta nos anais da história, residiram naqueles tempos o Barão e sua esposa. Não tenho como precisar seus nomes porque pouco sobre a história deles se sabe, a não ser que tiveram um filho e que, como era costume, o enviaram à Europa para estudar. Ele nunca mais regressou, o casal veio a falecer e a Fazenda Baronesa ficou de propriedade da União. Mas ali a gente ainda escutava em noites misteriosas o barulho de tambores rolando numa ladeira de macadame, e cuja atribuição se dava ao castigo que muitos negros escravos recebiam daquela maneira.
Hoje nada mais daquilo existe. Soterraram páginas importantes da nossa história, como é de costume que o façam neste Brasil sem fim.
No casarão havia um enorme fogão a lenha que durante aqueles invernos rigorosos nos permitia ficar bem aquecidos. Mas nos tempos de verão escaldante tudo o que a gente desejava era ter água gelada, mas como não havia energia elétrica tudo ficava complicado. Tínhamos geladeira que era movida a querosene e não gelava a contento. Energia elétrica se fazia presente das 19 às 22 horas, oriunda de um pequeno gerador movido a óleo diesel. Os lampiões e lanternas eram os reis do pedaço e, além da água que surgia pelas torneiras, bombeada de um “burrinho” lá no rio distante, o que nos salvava era a água então armazenada numa linda moringa de barro. Em dias quentes a moringa transpirava e a água em seu interior era bem gelada, digna de matar toda e qualquer sede.
Quando deixamos a moradia na fazenda e viemos para Curitiba a moringa veio junto, e ainda brilhou em nossa casa por longos anos até que um dia, por um desses descuidos da vida, alguém a derrubou e lá se foi para sempre a sua história de matar a sede em dezenas de cacos. Nunca mais tivemos em casa uma moringa, e nem eu nestas minhas andanças cheguei a topar com alguma para levar para casa e através dela relembrar aquele maravilhoso período de nossas vidas.
Quantas águas estiveram no interior daquele moringa da fazenda. Às vezes imagino que um enorme percentual daquele rio veio até ali para nos visitar através da cristalinidade de sua água tão pura e saborosa.
Para quem não sabe, o termo “moringa” é de origem indígena e, tantos os índios quanto os negros escravos fabricavam suas próprias moringas para ali armazenar o líquido mais importante que Deus nos ofereceu gratuitamente. Os portugueses que aqui chegaram também já fabricavam suas moringas, mas o nome delas era “bilha” e juntando todas, a gente tem pela frente todo um valor histórico sem precedentes no que diz respeito à criação de um objeto para se colocar água e ter direito, depois de um pequeno suadouro, àquele maravilhoso líquido que significa, juntamente com o ar, a nossa real perspectiva de seguir vivendo.
Esta moringa da foto foi postada em 24 de janeiro de 2018 pela minha irmã Marina, ainda viva e lutando contra sua doença. Lembro que o fez porque, apesar de ter vivido pouco naquela fazenda, nas ocasiões em que lá se encontrava também usufruía da água geladinha.
De repente fica aqui a sugestão para quem gosta de água purinha e gelada, para que encontrem uma moringa por ai. Além disso, ela também pode se tornar um lindo objeto decorativo para sua copa ou cozinha. E tem também o famoso filtro de barro, mas isto é história para que a gente conte em outra ocasião.

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http://guardiaodoportal.blogspot.com.br/

Imagem enviada por Pedro Brasil Jr.

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Ideal – setilha de Clarice Villac; foto de Santino Frezza

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Ideal

Se o Filipe passarinho
fosse o nosso professor
ah, seria diferente
não faria este calor
haveria tantas árvores
e flores multicolores
se ele fosse o zelador!…

 

Clarice Villac
25.01.2019
setilha para foto de Santino Frezza : Filipe, Myiophobus fasciatus.

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Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Eu avisei… – tirinha de Fabiano dos Santos

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https://www.behance.net/FabianoCartunista
http://fabianocartunista.blogspot.com/

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Caminho das Águas – soneto de Leila Míccolis; foto de Santino Frezza

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Caminho das Águas

                                              – Leila Míccolis


Cada rio é a vitória de seus elementos:
superando o desnível do solo, ele o trata,
pois na terra que leva, outra terra aclimata,
evitando desgastes e abalos violentos.

Vilarejos viceja. Transporta alimentos.
É fronteira e até porto; também serve à mata
e às pessoas sensíveis que inspira e arrebata
pelos seus simbolismos e os seus movimentos.

Sendo um Bem, todo rio é um milagre expressivo,
que equilibra o planeta e ao salvá-lo o melhora,
num trabalho de amor e de muita insistência.

É vital preservá-los, pois são seres vivos,
defensores do clima, da fauna, da flora,
do mistério de Gaia e da própria existência.

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Foto de Santino Frezza: “Rio Paranapanema: É um rio ainda limpo, praticamente livre de poluição, coisa rara, senão única, neste estado de São Paulo. A foto foi feita em Piraju-SP, num trecho em que as águas fluem, livres dos represamentos que as mantêm encarceradas até sua foz.”

Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Leila Míccolis é um patrimônio da Literatura Brasileira !
Para conhecer mais de suas artes:

http://www.blocosonline.com.br/sites_pessoais/sites/lm/index.htm?fbclid=IwAR3UYYwZN71svDaNLbgJ0TkCmNHsLTQwBla8zO6XSxN-U2bfojeHEoHVQpc

https://leilamiccolis.wordpress.com/

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