Um raio de sol entra pela fresta da janela – poema de João Gustavo Leite de Assis; foto de Maria de Fátima Barreto Michels

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Amanhecer na Praia do Mar Grosso, Laguna, SC – Maria de Fátima Barreto Michels

Um raio de sol entra pela fresta da janela

 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  João Gustavo Leite de Assis

Um raio de sol entra pela fresta da janela
O canto dos pássaros ecoa junto da brisa que toma conta do meu quarto
Não estou só, como em outrora
O quarto, o coração vazio
já vislumbram a vida que mesmo de forma singela
traz a certeza de que não estou só.
Se somos seres de luz, basta o amanhecer para que toda esperança do amanhã seja revigorada.
E somos! Um homem sem sonho é um corpo vazio.
Quantas almas não navegam na cascata do infinito sem saberem onde o rio vai terminar? Onde começou?
A origem de tudo está nos nossos mais íntimos desejos e embora não possamos prever um dia de sol,
um dia de chuva,
saberemos extrair o que de melhor poderemos fazer em cada circunstância,
basta termos vivido dias assim…
Um dia de sol… um dia em que o canto dos pássaros ecoou junto da brisa que tocou nossos corações…

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João Gustavo Leite de Assis : https://www.facebook.com/Palavraemversos/

Observação de M. Fátima Barreto Michels ao fotografar esta cena :

“Agora faltando um minuto para as sete horas aqui na Praia do Mar Grosso.
Observe que as nuvens desenharam um pássaro rosado !”

Laguna, SC – 28.06.2017.

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Dia das Crianças – cartum de Fabiano dos Santos

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Para conhecer mais criações de Fabiano dos Santos :
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A era geológica do antropoceno versus a do ecoceno – artigo de Leonardo Boff; fotos de Santino Frezza

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A era geológica do antropoceno versus a do ecoceno

                                                                                                  Leonardo Boff, 01/10/2017

         O primeiro a elaborar uma ecologia da Terra como um todo, ainda nos anos 20 do século passado, foi o geoquímico russo Vladimir Ivanovich Vernadsky (1963-1945). Ele conferiu caráter científico à expressão “biosfera” criada em 1875 por um geólogo austríaco Eduard Suess. Nos anos 70, com James Lovelock e sua equipe se desenvolveu a teoria de Gaia, a Terra que se comporta como um sistema orgânico, portanto, um super-organismo vivo que sempre produz e reproduz vida. Gaia, nome grego para a Terra viva, não é tema da New Age mas o resultado de minuciosa observação científica.

A compreensão da Terra como Gaia oferece a base para políticas globais, como por exemplo, o controle do aquecimento da Terra. Se ultrapassar dois graus Celsius, (estamos próximos a isso) milhares de espécies vivas não terão capacidade de se adaptar e de minimizar os efeitos negativos de tal situação mudada. Desapareceriam. Se ocorrer, ainda neste século, um “aquecimento abrupto”(entre 4-6 graus Celsius) como prevê a sociedade científica norte-americana, as formas de vida que conhecemos não subsistiriam e grande parte da Humanidade correria grave risco em sua sobrevivência.

Vários cientistas, especialmente o prêmio Nobel em química, o holandês Paul Creutzen, e o biólogo Eugene Stoemer se deram conta, no ano 2000, das mudanças profundas ocorridas na base físico-química da Terra e cunharam a expressão antropoceno. A partir de 2011 a expressão já ocupava páginas nos jornais.

Com o antropoceno se quer sinalizar o fato de que o grande ameaçador da biosfera que é o habitat natural de todas as formas de vida, é a agressão sistemática dos seres humanos sobre todos os ecossistemas que, juntos, formam o planeta Terra.

O antropoceno é uma espécie de bomba-relógio sendo montada, que explodindo, pode pôr em risco todo o sistema-vida, a vida humana e a nossa civilização. Coloca-se a pergunta: que fazemos coletivamente para desarmá-la?    Aqui é importante identificar o que fizemos para que se constituísse esta nova era geológica? Alguns a atribuem à introdução da agricultura há 10 mil anos quando começamos a interferir nos solos e no ar. Outros acham que foi nos meados do século 18 quando iniciou o processo industrialista que implica numa sistemática intervenção nos ritmos da natureza, com a ejeção de poluentes nos solos, nas águas e no ar. Estoutros colocam a data de 1945 com a explosão de duas bombas atômicas sobre o Japão e os posteriores experimentos atômicos que espalharam radioatividade pela atmosfera. E nos últimos anos, as novas tecnologias tomaram conta da Terra, exaurindo seus bens e serviços naturais mas também causando o lançamento na atmosfera de toneladas de gazes de efeito estufa e bilhões e bilhões de litros de fertilizantes químicos nos solos que causam o aquecimento global e outros eventos extremos.

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O imperativo categórico é que urge mudar a nossa relação para com a natureza e a Terra. Não dá mais para considerá-la um balcão de recursos que podemos dispor ao nosso bel-prazer, mormente, visando a acumulação privada de bens materiais. A Terra é pequena e seus bens e serviços limitados. Cumpre produzir tudo o que precisamos, não para um consumo desmedido mas com uma sobriedade compartida, respeitando os limites da Terra e pensando nas demandas dos que virão depois de nós. A Terra pertence a eles e a tomamos emprestada deles para devolvê-la enriquecida.

Como se depreende, releva enfatizar que temos que inaugurar o contraponto à era do antropoceno que é a era do ecoceno. Quer dizer: a preocupação central da sociedade não será mais o desenvolvimento/crescimento sustentável mas a ecologia, o ecoceno, que garantem a manutenção de toda a vida. A isso deve servir a economia e a política.

Para preservar a vida é importante a tecnociência mas igualmente, a razão cordial e sensível. Nela se encontra a sede da ética, da compaixão, da espiritualidade e do cuidado fervoroso pela vida. Esta ética do cuidado imbuída de uma espiritualidade da Terra nos comprometerá com a vida contra o antropoceno.

Portanto, faz-se mister construir uma nova ótica que nos abra para uma nova ética, colocar sobre nossos olhos uma nova lente para fazer nascer uma nova mente. Temos que reinventar o ser humano para que seja consciente dos riscos que corre, mas mais que tudo, que desenvolva uma relação amigável para com a Terra e se faça o cuidador da vida em todas as suas formas.

Há 65 milhões de anos caiu um meteoro de 9,6 km de extensão na Península de Yucatán no México. Seu impacto foi o equivalente a 2 milhões de vezes a força da uma ponderosa bomba nuclear. Três quartos das espécies vivas desapareceu e junto com elas todos os dinossauros depois de terem vivido por 133 milhões de anos sobre a face da Terra. O nosso ancestral, pequeno mamífero, sobreviveu.

Oxalá desta vez o meteoro rasante não sejamos nós, sem responsabilidade coletiva e sem o cuidado essencial que protege e salva a vida.

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Artigo publicado em:

https://leonardoboff.wordpress.com/2017/10/01/a-era-geologica-do-antropoceno-versus-a-do-ecoceno/

Leonardo Boff é articulista do JB on line e esceveu um resumo da nova cosmologia: De onde vem? O universo, a Terra, a vida e o espírito, Mar de Ideias, Rio 2017.

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Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Tartaruga sobe em pedra? – conto-fábula contemporânea e fotos de Santino Frezza

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Tartaruga sobe em pedra?

 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – Santino Frezza

Já sabemos que jabuti não sobe em árvore. Se ele estiver lá, ou foi enchente ou mão de gente.
Tartaruga sobe em pedra? As fotos que ilustram este texto mostram que sim. Como não teve enchente nem mão de gente, esses quelônios subiram por conta própria. Só pode!
Essa habilidade de certas tartarugas tem a ver com a história dos jabutis, que vem da época da criação das medidas provisórias.
Programou-se um congresso no céu para que a macacada pudesse, enfim, tirar umas lasquinhas daquilo que outrora era reservado só aos bichos de pelagem mais nobre, especialmente às raposas. Uma regra clara foi então editada: só poderiam participar bichos que sobem em árvore.
O jabuti, que volta e meia era encontrado em cima da árvore, sentiu-se no direito de juntar-se à galera. Sabemos que a interpretação das regras que botam ordem nesses congressos é sempre bem maleável. Porteiros se adaptam à maleabilidade.
Com o manual de interpretação de regras congressuais debaixo da carapaça, o jabuti convenceu um macaquinho a dar-lhe carona até o evento.
O porteiro, acostumado à pelagem das raposas, resolveu que precisava dar um pente fino naquela bicharada toda preta ou em tons de cinza bem escuro. Afinal, quem veste tal pelagem já é suspeito por natureza.
Foi aí que encontrou o jabuti. A autoridade do momento bradou: “Aqui não, jabuti não sobe em árvore.” E jogou o penetra cá para o seu lugar.

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Pão de pobre sempre cai com a margarina para baixo. A margarina do jabuti era a sua carapaça, que se espatifou em mil pedacinhos. Com um tubinho de cola-tudo e muita paciência, o bichinho fez mil emendas no casco, uma medida provisória que se tornou permanente. Quem quer que olhe para um jabuti verá que sua carapaça está toda remendada.
O porteiro do congresso, cioso do cumprimento de seu dever, levou o fato ao conhecimento do líder das raposas, que se reuniam no andar de cima. Era o mote que faltava: tem corrupção no pedaço!
Como a macacada não se contentava só com as lasquinhas, era preciso dar um basta naquilo. “Só comiam banana e já passaram a comer mortadela. Se continuar assim, vai chegar o dia em que vão querer também comer nosso caviar”, discursou uma das raposas.
Instaurado o rigoroso inquérito, concluiu-se que o culpado pela fraude jabutiana só podia ser o macho alfa do bando, que deixou de vigiar o macaquinho. “Põe ele para fora, manda ele e sua turma lá para suas origens”, foi a decisão.
O macho alfa foi o cara que organizou o congresso, um gorila que há tempos metia medo nas raposas. “É o pior de todos, manda ele lá para aquele circo onde se interpretam as regras do modo mais adequado às circunstâncias. E tenho dito!”, sentenciou-se.
Foi assim que algumas tartarugas aprenderam a subir em pedras, esperando que outras também aprendam e que essas outras ensinem os jabutis. Um dia todos subirão ao céu sem ter que passar pelas árvores ou pedir carona. De ilusão também se sobrevive, ora!

 

Nota:
Este texto não tem a intenção de humanizar os animais, cujo comportamento é ditado pelas regras da natureza, iguais para todos os seres. O intuito está mais para animalizar os homens para, quem sabe, um dia adaptarem-se a tais regras universais.

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Para ver  fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Quando entrar setembro… – crônica de Pedro Brasil Jr.

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Quando entrar setembro…

                                                        – Pedro Brasil Jr.

Setembro chegou no dia e hora marcados!
Eu é que me atrasei entre os sonhos que não consigo lembrar!
Mas o portal estava aberto logo cedo, um alvorecer lusco-fusco, uma brisa gélida e os pássaros de sempre cruzando aquele céu que tanto conheço…
Já é setembro da minha prima querida, da estação de todas as cores, todos os sabores, todos os amores e do meu bem querer que é segredo e sagrado!
Coração palpita forte em bit acelerado, esperando surpresas que só a natureza aufere.
O dia segue preguiçoso, manhoso e numa atmosfera que intriga a alma…
Eu nem queria escrever, nem queria tirar uma foto, nem queria hoje pôr os pés para fora de casa. Queria mesmo era poder exercer um ritual de sossego, desses que raramente a gente consegue em meio ao rebuliço de cada dia. O cansaço vez ou outra pega a gente e nos manda ir olhar pela janela para não ver nada, mas enxergar muito além do alcance dos olhos.
Fiquei ali uns minutos e me deixei levar distante em meio ao sibiliar do vento, ao ruflar das asas do pássaro e daquelas nuvens que estavam num desfile de moda todo próprio.
Uma paradinha nesta manhã de primeiro de setembro, na janela frontal esperando um raio de sol, um reflexo qualquer para, como num flash, dar à luz a essência do existir.
Depois saí como de costume e observei que todos os que vejo a cada dia estavam circulando da mesma maneira, com os mesmos trejeitos, com as mesmas preocupações, eu presumo; e só eu, pelo menos por aquelas paragens é que estava cultuando esta entrada de setembro, mais um mês, mais um setembro entre tantos já vividos e cujo significado para mim se volta ao renascer, aos reencontros, às energias novas que impulsionam a vida da gente.
Mas este setembro que outrora era “sete” e se tornou o “nono” mês do ano ora adentra nosso cotidiano irradiando sua luz, sua força e todo o seu poder de poesia viva.
Então; setembro chegou sorrateiro e apesar de não nos parecer ter ocorrido mudanças durante o inverno, no silêncio e com toda parcimônia trabalhou a natureza. Em alguns dias tudo eclodirá numa explosão de fractais fantásticos e a vida, toda ela ao redor, ganhará um novo impulso com a chegada da nova estação.
Estejam todos a postos para embarcar neste maravilhoso trem azul lembrando que, para este fantástico passeio é preciso levar consigo apenas a esperança de tempos melhores. E que cada um de nós possa fazer um pouquinho para melhorar o mundo.
E viva setembro!!!!

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http://guardiaodoportal.blogspot.com.br/

Imagens editadas por Pedro Brasil Jr.

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Slow motion – setilha de Clarice Villac


chuva


Slow motion

 

lua minguante de agosto

chuvinha fria de inverno

tudo respira melhor

brilha o espaço interno

enquanto lava a poeira

vai se acalmando a zoeira

desse palpitar eterno

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***

Clarice Villac
16.08.2017

 Claude Debussy – Reflets dans l’eau :
https://www.youtube.com/watch?v=nnnKmQ-wXZw

imagem encontrada na internet – autoria desconhecida

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Precisamos Salvar as Florestas ! – cartum de Fabiano dos Santos

salvar-as-florestas-fabiano-dos-santos

O que estamos fazendo para as Florestas do Mundo é apenas um reflexo do que estamos fazendo a nós mesmos e uns aos outros.”

Fabiano dos Santos

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