Castelo de Areia – crônica de Pedro Brasil Jr.

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O Castelo de Areia

. . . . . . . . . . . . . . . . . . – Pedro Brasil Jr

Ao final do último verão ele teve uma ideia: colocar em prática aquele sonho antigo, ainda de menino – construir um castelo de areia enorme, com todos os merecidos detalhes. Escolheu ali na praia um lugar mais isolado, onde pudesse trabalhar em paz, longe dos olhos e da opinião de possíveis curiosos.

Começou apanhando água do mar numa garrafa pet com o gargalo cortado e, em incontáveis idas e vindas foi molhando a areia e moldando sua construção. Entre uma latinha de cerveja e outra, com paciência jamais vista, foi erigindo sua obra de arte e, mesmo diante à dança dos ponteiros, não parou um minuto sem que chegasse à conclusão do seu feito. Curioso mesmo apenas a presença de uma gaivota que chegou por perto sorrateira, dando uma espiadela naquela maluquice humana. Depois alçou voo e pegou a distância…

Finalmente, depois de quase quatro horas, seu majestoso castelo estava concluído e desafiando as ondas que certamente, no adentrar da noite iriam invadir aquilo tudo com a mesma força de um exército devastador. Ao se posicionar em pé um pouco afastado, ele sacou do celular para fazer uma boa sequência de fotos e registrar como prova o seu talento de grande arquiteto.

Sabia que todo aquele esforço duraria pouco, mas tinha alguns aliados para o combate. Três siris emergiram de suas tocas na areia ali perto e adentraram a propriedade alheia sem cerimônias. Posicionaram-se entre as ameias daquela fortaleza tão frágil como se fossem soldados audaciosamente corajosos para enfrentar o suposto inimigo. Ele então tratou de registrar em fotos e deixou aqueles novos amigos em paz. Uma olhadela a mais e partiu deixando suas pegadas na areia quente. O verão se despedia em alto estilo e ele certamente que teria memórias fabulosas para encarar as estações vindouras.

De volta para casa em seu carro, às vezes imaginava aquele seu castelo imponente como se fosse o palco dessas histórias medievais que não dispensam os confrontos e os romances ávidos.

Mas também imaginava as pequenas ondas chegando com a maré alta e carregando sem misericórdia toda a sua obra que levara anos para tornar-se uma realidade de menino crescido, idade avançada e sonhos por inteiro.

Já em casa, transportou as fotos para o computador e tratou de dar nas mesmas uma melhorada usando os fantásticos recursos da tecnologia. Seus planos eram espalhar as fotos e mostrar seu grande feito nestas redes sociais que chegam tão distantes.

Surpresa maior quase o derrubou da cadeira. Ao entrar no universo que engloba pessoas de todas as partes envolvidas nos mais diferentes pensares, eis que à sua frente surge a foto do seu castelo.

Mas como era possível? – Pensou consigo diante da tela.

Não havia curiosos e ninguém naquele trecho da praia. O entardecer já abraçava a noite. E ele também não havia enviado a foto para alguém.

Então observou uma vez mais com atenção, afinal de contas, muita gente adora construir castelos na areia. Mas era o seu castelo, aquele que ficara guarnecido pelos seus amigos siris e que fazia sim certa diferença na paisagem.

Sob a foto então postada por um desconhecido havia um pequeno texto dizendo: “Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora; dê-lhes alicerces.” (Henry David Thoreau)

E a pessoa complementava dizendo: “Eis o castelo que deixou as nuvens, os sonhos e se alicerçou bem aqui, desafiando a força e o poder do mar. Minhas vivas ao audacioso e criativo construtor. Seja lá quem você for, saiba, do fundo do coração que sua obra me encheu de emoção. Há mais de 50 anos, quando menino ainda, também construí um castelo assim e quando as ondas o destruíram eu chorei muito, a ponto de as lágrimas deixarem marcas na areia ainda seca. Só anos mais tarde é que entendi como a gente constrói uma vida sólida a partir de sonhos tão simples.”

Então ele respirou fundo, os olhos marejados e o coração palpitando de alegria. Ele havia, finalmente, tocado uma alma distante e desconhecida por simplesmente ter regressado no tempo para não deixar no esquecimento o seu sonho tão singelo e tão grandioso.

Pedro Brasil Jr – 29/07/2020.

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http://guardiaodoportal.blogspot.com.br/

Imagem enviada por Pedro Brasil Jr.

 

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Poeminha Sem Gracinha – quadrinhas e fotos de Santino Frezza

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Poeminha Sem Gracinha
  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . – Santino Frezza

Venha cá senhor prefeito,
Você pode dar um jeito
De tratar o nosso esgoto
E afastar o gafanhoto?

. . . . . . . . . Esse povo ignaro
. . . . . . . . . Adora mito sem preparo
. . . . . . . . . Custa ao pobre muito caro
. . . . . . . . . À família todo amparo.

A floresta vai ao chão,
Madeireiro enche as burras
A doença nos dá surras
Mais covid no pulmão

. . . . . . . . . Lá se foi mais um rio limpo
. . . . . . . . . Poluiu-o o garimpo
. . . . . . . . . Pela ausência desmedida
. . . . . . . . . Dum governo genocida.

Aqui há poucos bilionários
Quase todos salafrários
Para eles pouco importa
Por covid gente morta.

. . . . . . . . . Cobra naja no apê
. . . . . . . . . Pica o dono demodê
. . . . . . . . . Falta soro no instituto
. . . . . . . . . Fato assim me deixa… bravo!

 . . . . . . . – Santino Frezza: Avaré, SP, 29.07.2020.

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Praia na Ilha do Cardoso, em Cananeia, SP, que é um exemplo de preservação, cuidada pelos caiçaras. Depois da ressaca, como neste momento desta foto, que leva muito lixo para a praia, eles mesmos fazem a limpeza.

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Para ver fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Morceguinho – ajudando a desmanchar preconceitos – artigo de Kleber Pinto Antunes de Oliveira; fotos de Santino Frezza

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Visitante noturno do nosso quintal em Avaré-SP.
Morcego do gênero Artibeus.
Frugívoro, veio comer casca de banana que sobrou nos comedouros de aves.
Em 04/07/2020 – Santino Frezza.

Morceguinho – ajudando a desmanchar preconceitos

                                                                                – Kleber Pinto Antunes de Oliveira

As fotos são de um morcego frugívoro do gênero Artibeus, mas não podemos chegar na espécie, por não termos manuseado o exemplar, não termos obtido as fundamentais medidas morfométricas. Às vezes, até para chegarmos na espécie, temos que estudar, visualizar a dentição.

No estado de São Paulo, há 4 espécies de Artibeus. No Rio Grande do Sul, duas espécies de Artibeus. Quanto não chegamos na identificação de uma espécie, através de foto, postamos a foto e digitamos, por exemplo, Artibeus sp.      sp.  significa que a espécie não foi identificada.

Artibeus gosta muito de figos selvagens.

As espécies do gênero Artibeus, além de frutos (predominantemente), podem completar a dieta com insetos, pólen, néctar e folhas.

O máximo que um Artibeus atinge são 113 milímetros de comprimento de corpo.

O nome da espécie do maior morcego ocorrente no Brasil, que é bem maior do que exemplares do gênero Artibeus, é Vampyrum spectrum. Comprimento do  corpo médio 125 – 158  milímetros. Não é hematófago, apesar de ter no nome, equivocadamente, Vampyrum. Alimenta se de aves, outros morcegos, roedores. Completa a dieta com insetos e frutas.

Os morcegos são os mamíferos que possuem maior diversidade alimentar.

Há espécies frugívoras; insetívoras (ao redor de 70% das espécies); nectarívoras; polinívoras; hematófagas apenas 3 em um total de 1331 espécies; carnívoras (predam pequenos morcegos, pequenos pássaros, roedores, marsupiais, anfíbios, escorpiões); piscívoras.

São importantes componentes de cadeias alimentares, podendo ocupar nas mesmas, diferentes posições.

São importantes indicadores biológicos.

Uma enzima  presente na saliva de Desmodus rotundus (espécie hematófaga de morcego), está sendo cada vez mais usada na área da Cardiologia, devido ao seu grande potencial anticoagulante.

Morcegos (algumas espécies) são responsáveis por regeneração de áreas que foram alvo de desmatamento, pois realizam a dispersão de sementes.
Polinizam muitas espécies vegetais.

São conhecidas (4.000) quatro mil interações entre plantas e morcegos, ao longo de todo o planeta Terra.

Do ponto de vista humano, também colaboram com o controle de insetos, por exemplo, predando pernilongos e outras espécies de insetos.

Ocorrem no estado de São Paulo, 76 espécies de quirópteros; no Rio Grande do Sul, ocorrem 41 espécies de morcegos.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  Kleber Pinto Antunes de Oliveira (pesquisa morcegos desde o segundo semestre de 1993, é biólogo, zoólogo gaúcho).

Morcegos precisam ser preservados!

MORCEGO_artibeus_Santino_Frezza_1

Visitante noturno do nosso quintal em Avaré-SP.
Morcego do gênero Artibeus.
Frugívoro, veio comer casca de banana que sobrou nos comedouros de aves.
Em 04/07/2020 – Santino Frezza.


Morceguinho lindo
Tão temido sem motivo
Multiplica vida

          – Santino Frezza

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Para ver fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Sobre tiês, sanhaços e outros bichos – crônica e fotos de Santino Frezza

SANHAÇOS NO COMEDOURO_Santino_Frezza_m

Sobre tiês, sanhaços e outros bichos

                                                                                                                      Santino Frezza

Meu primeiro contato com a atividade de observação de aves deu-se na Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. Estava lá para curtir a paisagem exuberante e fotografar cachoeiras, que pretendia ser meu hobby depois da aposentadoria. No pátio de um restaurante ao lado de uma belíssima queda d’água, notei um pequeno grupo munido de binóculos e câmeras apontados para uma direção em que, pensei, nada havia de interessante. Eram estrangeiros observadores de aves, fiquei sabendo. Achei aquilo meio estranho, esquisito. Tem cada gosto!

Tudo mudou quando em outra chapada, a Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás, vi e fotografei uma ave diferente, cuja espécie ninguém do local soube identificar. Zapeando pelo santo protetor das necessidades de conhecimentos urgentes, embora superficiais, o todo poderoso São Google, deparei-me com o WikiAves, que me informou ser aquela ave um lindo japu. Paixão à primeira consulta!

O melhor da observação de aves é andar pelas estradinhas de terra, curtir a paisagem, respirar o ar puro, frequentar pousadas simples em lugares pitorescos. Como prêmio, ver e fotografar essas belezas aladas da natureza e, eventualmente avistar outros animais silvestres, além de conhecer pessoas interessantes e fazer amizades ótimas.

Nunca me esqueço de uma jararaca, à noite, no meio de uma trilha enquanto fazíamos, em grupo, nossa atividade de observação de aves. Observávamos pássaros e a jararaca observava nossos passos. Fotografei até um gato mourisco em outra ocasião. Em mais outra, uma irara chegou a cheirar meu traseiro quando estava absorto em observar um pássaro. Bugios, macacos-prego, micos, veado e outros animais já fizeram parte dessas andanças. Até já tive que correr para fugir de cachorros bravos de fazenda. O bando de macacos-prego, aliás, foi causador de uma amizade das mais profundas, sinceras e respeitosas, que espero jamais perder.

Esse prazer foi bruscamente interrompido pela pandemia, que nos obrigou a cumprir rigoroso isolamento social. Não há, no entanto, perdas que não tenham sua compensação.

Com o privilégio de morar em uma casa simples, porém em lugar tranquilo, próximo a vegetação abundante e com um quintal grande, comecei a receber visitas de muitas e muitas espécies de aves em comedouros que construí. Comedouros abastecidos com bananas, quirera de milho e painço.

Aos poucos, as aves foram chegando e chegando. Já contabilizei mais de trinta espécies, entre sanhaços, saíras, columbídeos, andorinhas, rapinantes e outras. Todas fotografadas sem sair de minha varanda.

Nessa nova condição, tive oportunidade de observar comportamentos de certas aves, algo difícil de fazer em campo aberto. O canário da terra, por exemplo, é pouco arisco. Aqui, vêm comer painço a trinta centímetros de minha mão. A fêmea é mais confiante, o macho um pouco mais arredio. Ele se achega sempre depois da fêmea. A fêmea come muito mais e descobri o porquê: ela enche o papo e leva o conteúdo para regurgitar no bico dos filhotes. Com o tempo, os filhotes que já aprenderam a voar passaram a vir com os pais. Um deles chegou primeiro e recebia comida no bico. Quando esse aprendeu a comer sem ajuda da mãe, apareceu o outro, que ainda era alimentado pela fêmea. O desenvolvimento não é igual para todos.

chupim com tico-ticop

Os chupins aparecem em grandes bandos, são vorazes comedores de quirera. Liquidada a quirera, descem para o gramado e passam a comer insetos. Jovens são alimentados no bico por tico-ticos. Esse comportamento não se dá por preguiça, como supõe o senso comum. Esses jovens, já quase adultos, tentam comer sozinhos, mas não conseguem engolir, o grão cai do bico. Não fosse o tico-tico ou outra espécie a ajudar, morreria de fome. É a natureza em sua marcha.

Demorei algum tempo para perceber que outro pássaro todo negro que comparecia aos comedouros solitariamente não era um chupim. Seu comportamento era diferente. Enquanto comia, agitava as asas rapidamente. Em uma das fotos, percebi as penas brancas na parte interna das asas e a mandíbula cor de louça. Um tiê-preto macho, não por acaso conhecido em algumas regiões como bico de louça.

Observando mais atentamente, percebi que o tiê-preto macho vinha sempre acompanhado da fêmea, de cor marrom e com o bico igualmente cor de louça. Um detalhe: eles sempre se alimentam em comedouros diferentes. Não comem no mesmo prato, como fazem chupins, sanhaços e saíras. Parecem ser meio avessos a intimidades.

Ledo engano, contudo. Não tardou a aparecer um filhote, com penas pretas mescladas com penas marrons. Há plena intimidade, sim, em ocasiões apropriadas. Chegam os três juntos ao quintal, o macho adulto em um comedouro, a fêmea em outro e o filhote macho aguardando sua vez na roseira próxima ao comedouro em que o pai tem preferência. Questão de respeito?

Os tiês chegam e esperam pacientemente os sanhaços-cinzentos que os antecederam a terminarem suas refeições. Quando chega sua vez, não admitem dividir o espaço com outros. Questão de ordem?

Os sanhaços-cinzentos, por sua vez, alimentam-se em bandos de seis ou sete indivíduos. Concluí que os bandos pertencem a famílias diferentes, pois não aceitam a companhia de alguns outros da mesma espécie. Há bandos que voam de ou para uma direção, outros que voam no sentido contrário. Famílias diferentes, portanto, e não se misturam. Clãs? Tribos?

TIE-PRETO JOVEM_7086p

Voltando aos tiês-pretos, o jovenzinho já é um quase adulto, suas penas marrons estão dando lugar às penas pretas. Por enquanto, espera na roseira o pai terminar o almoço.

A roseira é pouso seguro para várias espécies que esperam a vez de se fartarem nos comedouros. Parafraseando o poeta, digo que na roseira nascem espinhos, mas nascem também as flores, nela pousam passarinhos, uma sinfonia de cores.

Escrevi ali em cima que perdas têm compensações. Neste caso, aprendi a ser mais paciente, a ser mais disciplinado e sobretudo a cumprir com rigor o isolamento. Saúde acima de tudo! As observações quase passaram a seguir o método científico. Falta ainda fazer observação sistemática, com anotações de data e hora, número, condições climáticas e outras exigências. Espero que a pandemia não dure tanto.

*****

Em tempo:

Dedico estas mal traçadas à Lu, que há mais de meio século me acompanha pelas estradinhas da vida.

Também à Clarice Villac, amiga e incentivadora.

Avaré, SP, Junho 2020.
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Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
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Qual é a cor da lágrima da tartaruga? – desenhos de Lídia Costa, poema de Clarice Villac

lidia_costa_tartaruga_1

Lídia Costa – Carvão e giz pastel oleoso sobre papel canson 29,5 X 21.

Qual é a cor da lágrima da tartaruga?

O sorriso da tartaruga
é de um azul imenso
seu sentido de orientação
aponta para praias de desova
protegidas pelos sorrisos dos ambientalistas
pesquisadores, educadores, caiçaras, turistas

O sonho da tartaruga
é nadar tranquilamente
em oceanos limpos, translúcidos
com os raios de sol
colorindo, aquecendo, conduzindo

A lágrima da tartaruga
tem a cor da ganância, maldade
e ignorâncias humanas,
que destroem centros de pesquisa,
reabilitação, amparo, resgate…
A lágrima da tartaruga
é imensa dor
furta-cor…

.

Clarice Villac, poema
29/30.05.2020

Lídia Costa, desenhos
29/30.05.2020

lidia_costa_tartaruga_2

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Mais Artes de Lídia Costa:

https://www.facebook.com/lidiacostartista/

https://www.instagram.com/lidiacostaportifolio/

https://www.youtube.com/user/lidiacostaful

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Espanto – Gilberto Nogueira de Oliveira, Clarice Villac, Santino Frezza, Patricia Rodrigues Valim

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Espanto

Meu face está meio esquisito.
Tem hora que fica maluco
e hora que não.

– Gilberto Nogueira de Oliveira
16.03.2018

*

Meu espelho está meio esquisito.
Tem hora que fica maluco
e hora que não.

– Clarice Villac
17.03.2018

*

Meu pensamento está meio esquisito,
vejo um dedo apontando
um corpo estendido no chão.

– Santino Frezza
17.03.2018

*

Meu Mundo está meio esquisito,
vejo muitos doentes
e outros andando na contramão.

– Patricia Rodrigues Valim
 17.03.2020
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Em meio a rumores de guerra… – cartum de Silvano Mello

Em meio a rumores de guerra..._Silvano_Mello

 

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Passarinho – desenho de Lídia Costa, música de Geraldo Azevedo

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Canta Coração
. . . . . . . . . . . . . . Geraldo Azevedo

Canta, canta passarinho, canta, canta miudinho
Na palma da minha mão
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
Quero paz no coração
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
Na palma da minha mão

Na palma da minha mão tem os dedos tem as linhas
Que olhar cigano caminha procurando alcançar
A nau perdida, o trem que chega, a nova dança
Mata verde esperança, em suas tranças vou voar

Passarin…in…nho eu vou voar

Quero paz no coração

Meu alegre coração é triste como um camelo
É frágil que nem brinquedo, é forte como um leão
É todo zelo, é todo amor, é desmantelo
É querubim, é cão de fogo, é Jesus Cristo, é Lampião

Passarin…in…nho eu vou voar
Passarin…in…nho eu vou voar
Passarin…in…nho eu vou voar

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https://www.youtube.com/user/lidiacostaful

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Emblema – Clarice Villac

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Emblema

tão imensa, transbordante
bela árvore, tão plena
intensa expressão da vida
além de qualquer poema
engrandece a paisagem
desperta em nós a coragem
além de qualquer esquema

 

Clarice Villac
06.08.2019

21 de Setembro = Dia da Árvore

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Michel Foucault – Filósofos… (fragmentos)

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Não estou certo de que a filosofia exista. O que existe são “filósofos”, isto é, certa categoria de pessoas cujas atividades e cujos discursos são muito variados de uma época para a outra. O que os distingue, como a seus vizinhos, os poetas e os loucos, é a divisão que os isola, não a unidade de um gênero ou de uma doença.
.
Creio que existe um certo tipo de atividades “filosóficas” em domínios determinados, que consistem, em geral, em diagnosticar o presente de uma cultura; é esta a verdadeira função que podem ter hoje os indivíduos a quem chamamos filósofos.

***
“O trabalho de um intelectual […] é, através das análises que ele faz nos domínios que são seus, reinterrogar as evidências e os postulados, sacudir os hábitos, as maneiras de fazer e pensar, dissipar as familiaridades aceitas, retomar a medida das regras e das instituições.”

Michel Foucault, fragmentos, in Foucault, Mestre do Cuidado, de Salma Tannus Muchail.
(fragmento do livro em fase de revisão, a ser publicado pela Intermeios Editora.)

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Fotos por Clarice Villac, florzínias & joaninha.

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