Todo dia é Dia de Índio – Alexandre Zilahi – Eyeline crayon e Aquarela

Todo dia é Dia de Indio _ Alexandre Zilahi

 

Todo dia é Dia de Índio 

Eyeline crayon e Aquarela. Estudo.

Alexandre Zilahi

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Para conhecer as outras artes de Alexandre Zilahi:

http://www.zilahi.com.br

no Youtube:
http://www.youtube.com/user/zilahi55

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Poente no Cais – Maria de Fátima Barreto Michels

cais do Centro Historico em Laguna_SC_Fatima_barreto

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Pensei que tinha um mar mas era só uma lagoa

Pensei que tinha remos mas eram apenas dois bambus

Pensei que tinha uma canoa de um pau só,

mas eu tinha era uma pequena bateira de tábuas

Quando afastei as lentes percebi que eu tinha mesmo

era um coraçãozinho esganado de fome de lindezas,

e que, por sinal, vai morrer disso!

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Imagem: poente no cais do Centro Histórico em Laguna, SC.

Texto e fotografia: Fátima Barreto

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RESPOSTA * Answer

Poesias e Cia - Ana de Lourdes Teixeira

maos 3      Ana de Lourdes Teixeira – Abril, 2017

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Canoa na Neblina – aquarela & poema de Alexandre Zilahi

Alexandre Zilahi Aquarelas - canoa na neblina

Imagina…
uma canoa
de boa
na neblina

ora veja
nem o sapo rouqueja

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Alexandre Zilahi – Estudo Aquarela.

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Trilhos da Algia – crônica de Pedro Brasil Jr.

trem

Trilhos da Algia

………………………………..– Pedro Brasil Jr.

Não tinha nada ao redor, mas era o caminho que levava a tudo.
Norte encoberto pelas nuvens, chuva aparente.
Sul esquecido pela visão do que ficara para trás.
Ao leste e oeste uma vastidão de verde e montanhas.
Menino ainda, pela janela do vagão ia observando aquela paisagem aparentemente tão vazia, mas por outro lado, tão cheia de histórias.
Em cada novo trecho os solavancos do rodado de ferro nas divisões entre os trilhos. A fumaça da máquina às vezes dava pinceladas na janela e a paisagem ficava fora de foco.
Fazendas, cavalos, vacas, carneiros e cachorros que ladeavam a composição latindo alto para espantar aquele bicho de ferro de seus territórios.
Íamos sobre os trilhos para algum lugar em que eu jamais estivera, mas a viagem tão longa e cansativa tinha mais uma daquelas missões de cura.
Minha saudosa mãe ia em busca de um curandeiro cuja fama ultrapassara aquelas montanhas e, em se tratando de doença, todas as tentativas são válidas.
A Maria Fumaça cuspia fogo e logo, o entardecer foi tomado pela cortina da noite. Um breu completo onde a gente não sabia mais por onde ia. Sabia-se que havia trilhos e que aquilo tudo dependia deles para chegar a um destino.
De Palmeira à Jaguariaíva foram muitas horas de uma viagem diferente que por razões diversas deixou muitas marcas na minha alma poeta.
Eu tinha lá uns 6 ou 7 sete anos e achava que o mundo era apenas e tão somente aquela imensidão por onde singrava o trem.
Noite densa e uma parada numa estação rústica. Homens, mulheres e crianças descendo e subindo. Gente com malas enormes ou levando apenas uma sacolinha de pano. Em cada um uma história, um destino, uma esperança…
E o trem, agora baforando vapor, começou a se mover outra vez. Um sino, um apito e a distância a ser concluída.
Dormi! E fui viajando pelos meus sonhos de menino. Acordei em outras paragens, casebre quase caindo, centenas de pessoas sentadas no chão, homens fazendo um cigarro de palha…
Mulheres sofridas, crianças doentes, homens se apoiando em suas muletas…
Dor e sofrimento reunindo tantos em torno da esperança.
Sim; viver é preciso e para tanto, a saúde é fundamental.
Distância retomada e o regresso só foi diferente pela ansiedade de chegar em casa, naquele porto seguro de cada um de nós.
Minha mãe não se curou desta feita, mas a Maria Fumaça continuou, dia após dia o seu trajeto de levar e trazer esperançosos, sonhadores, lenhadores, vaqueiros e até uns pretendentes a se tornar escritores.
Eu estive por lá e ainda sou capaz de ouvir aquele sino e aquele apito trocando notas com o poder da máquina, o ranger das rodas de ferro e até o choro de uma criança com fome.
O tempo se foi, os trilhos foram tomados pela mata e a possante Maria Fumaça foi esquecida num desses galpões onde tudo se encerra.
Mas eu; graças a Deus, continuo minha doce viagem através dessas escritas…
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– Pedro Brasil Jr., Curitiba, 13.01.2017.
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http://guardiaodoportal.blogspot.com.br/

 

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Garça azul – poema de Clarice Villac; foto de Santino Frezza

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Garça azul

em meio ao impressionismo
do dia, das águas,
busca alimento
reflete seu azul
duplica o encantamento
a garça meditativa…

Clarice Villac

Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Dona Marisa Letícia ao ódio respondeu doando seu órgãos – artigo de Leonardo Boff; desenho de Jota Camelo

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Dona Marisa Letícia ao ódio respondeu doando seu órgãos

                                                                                                           Leonardo Boff, 05/02/2017
 .

Dona Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, morreu num contexto político conturbado. Nas palavras do próprio Lula, “ela morreu triste” e também traumatizada.

Diz-se que todas as instituições funcionam. Mas não se qualifica o seu funcionamento. Funcionam mal. Em outras palavras não funcionam. Se tomamos como referência a mais alta corte da nação, o STF, aí fica claro que as instituições estão corrompidas, incluindo a PF e o MP. Especialmente o STF é atravessado por interesses políticos e um dos seus ministros, de forma escancarada, rompe diretamente a ética de todo magistrado, falando, criticando, atacando fora dos autos e tomando claramente posição por um partido; nada acontece, no nosso vale-tudo jurídico, quando deveria sentir o rigor da lei e sofrer um impeachment. Esta situação é um sinal inequívoco que estamos numa derrocada política, ética e institucional. O Brasil vai de mal a pior pois todos os dias os itens sociais e políticos se deterioram. E havia senadores e deputados de poucas luzes que propalavam que com a derrubada do PT o Brasil entraria uma nova primavera de progresso.

O que nos parece mais grave é o fato de que se instaurou um real estado de sítio judicial. A operação Lava Jato mostrou juízes justiceiros que usam o direito como instrumento de perseguição, no caso do PT e diretamente do ex-presidente Lula. A Polícia Federal, bem no estilo da SS nazista, entrou casa adentro da família Lula, revistaram cada canto, reviraram o colchão, remexeram a penteadeira de Dona Marisa, revolveram a geladeira, carregaram o que puderam e levaram sob vara, pois é esta a expressão correta, quer dizer, coercitivamente o ex-presidente Lula para interrogatório numa delegacia do aeroporto.

Tal ato de violência física e simbólica traumatizou a ex-primeira dama. Maior foi o trauma quando foi indiciada como criminosa na operação Lava Jato junto com o marido. Isso a encheu de medo e alterou todo seu estado de saúde.

Como se não bastassem aquilo que escreveu corajosamente jornalista Hidegard Angel em seu blog na internet “os oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas”. E faço minhas as palavra de Hildegard Angel, pois representam o que posso testemunhar em mais de 30 anos de amizade entranhável com Dona Marisa e Lula: “Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo. Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou com Lula, um verdadeiro casal”.

Criticam-na porque como primeira dama não assumiu funções públicas. Mas poucos sabem que foi ela que restituiu a forma original do palácio do Planalto, resgatando os móveis e tapetes que haviam sido doados a ministros e a outros departamentos. Ela possuía elevado sentido estético. Foi fundamental na reforma da Catedral que acompanhou passo a passo.

Finalmente, foi ela que introduziu no Torto as festas da cultura popular, a celebração de seus santos de devoção que são da maioria do povo brasileiro, Santo Antônio e São João. Lá organizou o carnaval bem no estilo do povo, com as bandeirinhas, a procissão e o pau de sebo. Escândalo da burguesia descolada de nossas raízes e envergonhada de nossas tradições.

Ela sofreu um AVC que foi fatal. Visitei-a na UTI, falei-lhe ao ouvido (dizem que mesmo em coma o ouvido ainda funciona) palavras de confiança e de entrega ao Deus Pai e Mãe que ela acreditava com fé profunda. Deus a estava esperando para que caísse em seu seio materno e paterno para ser feliz eternamente. Abracei o ex-presidente que não escondia as lágrimas. Quando se constatou a morte cerebral, o coração ainda pulsava. Ele disse uma palavra verdadeira:”O coração dela pulsa porque o nosso amor vai para além da morte.”

Ao lado de tanta dor se constataram na internet palavras de ódio e de maledicência. Felizes porque morria e merecia morrer daquele jeito. Aí me dei conta de que não temos apenas pedófilos mas também necrófilos, aqueles que amam e celebram a morte dos outros. Pertinente é a frase atribuída ao Papa Francisco: “Quando você comemora a morte de alguém, o primeiro que morreu foi você mesmo”.

Diante da morte, o momento derradeiro para cada ser humano, pois vai encontrar-se com Suprema Realidade que é Deus, devemos nos calar reverentes. Ou proferimos palavras de conforto e de solidariedade ou emudecemos respeitosamente. Como podemos ser cruéis e sem piedade diante da morte dolorosa de uma pessoa conhecida como extremamente bondosa, arraigada aos mais pobres, lutadora dos direitos dos trabalhadores e das mulheres e com grande amor ao Brasil? Ao ódio ela respondeu doando generosamente os próprios órgãos para que outros pudessem viver.

Lamentavelmente, o golpe perpetrado contra o povo, impôs uma radical agenda que segundo o jornalista Elio Gaspari “é uma grande máscara, atrás da qual se escondem os velhos e bons oligarcas” (O Globo, 5/02/17, p.8). Esses odeiam os pobres como odeiam o PT e Lula e odiaram Dona Marisa Letícia.

Mas a verdade e justiça possuem uma força intrínseca. Elas arrancarão as máscaras dos pérfidos. A luz brilhará. Enquanto isso contemplaremos uma estrela no céu da política brasileira: Dona Marisa Letícia Lula da Silva.

Leonardo Boff é amigo da família Lula da Silva e articulista do JB on line.

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https://leonardoboff.wordpress.com/2017/02/05/dona-marisa-leticia-ao-odio-respondeu-doando-seu-orgaos/

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Imagem : desenho de Jota Camelo : https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1107441042711523&set=ecnf.100003369130304&type=3&theater

– Agradecemos ao amigo Celso Pestana por publicá-la.

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