Aquecimento Global – cartum de Ricardo Siri Liniers

Ricardo Siri Liniers_aquecimento_global

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A Apagar O Fogo Que O Criminoso Ateia – poema de João Raimundo Gonçalves

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A Apagar O Fogo Que O Criminoso Ateia

 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  João Raimundo Gonçalves

Portugal está a arder
mais parece um país de brincar
onde ciosos incendiários
gente que não quer ganhar a perder
lançam achas para o ar
para culpar os dos lados contrários

*
só pode ser um Nero
ou mais a mandado o incendiário
que pôs a arder o país
o fogo lavra solto livre disperso e fero
destrói e mata sem horário
arrasa a rica floresta pela raiz

*

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.

o fogo espalha o terror
num país inteiro a arder Portugal
só pode ser terrorismo
mais fácil de culpar que a falta d’amor
se o fogo dá lucro ao capital
criemos por lucro um novo aforismo

*
não há meios suficientes
nem a justiça é justa e célere a punir
quem manda e quem faz o crime
quando se espalha fogo em tantas frentes
só o criminoso tem tempo de fugir
as pessoas exigem o fim do terror que as oprime

*

incendio_florestal_em_portugal...

.

pobre natureza destruída
o país estava a acordar dum pesadelo
e eis que surge esta tragédia
um criminoso golpe de terror e suicida
ergamos o amor como modelo
antes que voltemos à idade média

*
há pessoas que não gostam de animais
pessoas que não gostam do verde da floresta
há pessoas gananciosas de viver
as cidades nuas tornar-se-ão frias surreais
os campos desertos serão o que resta
num mundo perdido nas trevas do alvorecer

*
lembro o país onde nasci feliz
a mata atlântica que sustinha as dunas
os piqueniques de família
as sombras o aroma dos pinheiros senhoris
lembro o riso cristalino das meninas
e as sombras do medo quando anoitecia

*

incendio_florestal_em_portugal....

.

honra aos heroicos bombeiros
que enfrentam o fogo que o criminoso ateia
honra aos povos solidários
que ajudaram a apagar fogos rasteiros
honra aos que defendem a ideia
que é preciso julgar os incendiários

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João Raimundo Gonçalves – Portugal:

http://neoabjeccionismo.blogs.sapo.pt/

http://romanesco.blogs.sapo.pt/

http://samueldabo.blogs.sapo.pt/

https://direito-de-resposta.blogspot.com.br/

imagens: fotos do Diário de Notícias de Portugal, outubro 2017:
https://www.dn.pt/

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Japu & seu ninho – versos de Santino Frezza e Clarice Villac; fotos de Santino Frezza

JAPU NO NINHO_santino_frezza_m

Japu

No pinus perfumado
tem seu ninho
habilmente tecido
a família Japu
tem até um toldo na entrada
e balança livremente,
em segurança !
(C.V.)

Eles constroem
uma casa dessas
sem precisar fazer cursos de arquitetura
nem usam caçambas
para remover o entulho,
pois não geram entulho.
(S.F)

Nessa harmoniosa
convivência
vive a família Japu
e, dela, os humanos
raramente têm consciência…
(C.V.)

JAPU_santino_frezza

versos por Santino Frezza (S.F)
e Clarice Villac (C.V.)
15.10.2017
fotos por Santino Frezza – 13.10.2017, em Avaré, SP.

 

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Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

 

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Dia Mundial da Alimentação – cartum de Fabiano dos Santos

Dia Mundial da Alimentacao_cartum_fabiano_dos_santos

Para conhecer mais criações de Fabiano dos Santos :
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Um raio de sol entra pela fresta da janela – poema de João Gustavo Leite de Assis; foto de Maria de Fátima Barreto Michels

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Amanhecer na Praia do Mar Grosso, Laguna, SC – Maria de Fátima Barreto Michels

Um raio de sol entra pela fresta da janela

 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  João Gustavo Leite de Assis

Um raio de sol entra pela fresta da janela
O canto dos pássaros ecoa junto da brisa que toma conta do meu quarto
Não estou só, como em outrora
O quarto, o coração vazio
já vislumbram a vida que mesmo de forma singela
traz a certeza de que não estou só.
Se somos seres de luz, basta o amanhecer para que toda esperança do amanhã seja revigorada.
E somos! Um homem sem sonho é um corpo vazio.
Quantas almas não navegam na cascata do infinito sem saberem onde o rio vai terminar? Onde começou?
A origem de tudo está nos nossos mais íntimos desejos e embora não possamos prever um dia de sol,
um dia de chuva,
saberemos extrair o que de melhor poderemos fazer em cada circunstância,
basta termos vivido dias assim…
Um dia de sol… um dia em que o canto dos pássaros ecoou junto da brisa que tocou nossos corações…

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João Gustavo Leite de Assis : https://www.facebook.com/Palavraemversos/

Observação de M. Fátima Barreto Michels ao fotografar esta cena :

“Agora faltando um minuto para as sete horas aqui na Praia do Mar Grosso.
Observe que as nuvens desenharam um pássaro rosado !”

Laguna, SC – 28.06.2017.

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Dia das Crianças – cartum de Fabiano dos Santos

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 .
Para conhecer mais criações de Fabiano dos Santos :
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A era geológica do antropoceno versus a do ecoceno – artigo de Leonardo Boff; fotos de Santino Frezza

GARÇA MOURA_santino_frezza

A era geológica do antropoceno versus a do ecoceno

                                                                                                  Leonardo Boff, 01/10/2017

         O primeiro a elaborar uma ecologia da Terra como um todo, ainda nos anos 20 do século passado, foi o geoquímico russo Vladimir Ivanovich Vernadsky (1963-1945). Ele conferiu caráter científico à expressão “biosfera” criada em 1875 por um geólogo austríaco Eduard Suess. Nos anos 70, com James Lovelock e sua equipe se desenvolveu a teoria de Gaia, a Terra que se comporta como um sistema orgânico, portanto, um super-organismo vivo que sempre produz e reproduz vida. Gaia, nome grego para a Terra viva, não é tema da New Age mas o resultado de minuciosa observação científica.

A compreensão da Terra como Gaia oferece a base para políticas globais, como por exemplo, o controle do aquecimento da Terra. Se ultrapassar dois graus Celsius, (estamos próximos a isso) milhares de espécies vivas não terão capacidade de se adaptar e de minimizar os efeitos negativos de tal situação mudada. Desapareceriam. Se ocorrer, ainda neste século, um “aquecimento abrupto”(entre 4-6 graus Celsius) como prevê a sociedade científica norte-americana, as formas de vida que conhecemos não subsistiriam e grande parte da Humanidade correria grave risco em sua sobrevivência.

Vários cientistas, especialmente o prêmio Nobel em química, o holandês Paul Creutzen, e o biólogo Eugene Stoemer se deram conta, no ano 2000, das mudanças profundas ocorridas na base físico-química da Terra e cunharam a expressão antropoceno. A partir de 2011 a expressão já ocupava páginas nos jornais.

Com o antropoceno se quer sinalizar o fato de que o grande ameaçador da biosfera que é o habitat natural de todas as formas de vida, é a agressão sistemática dos seres humanos sobre todos os ecossistemas que, juntos, formam o planeta Terra.

O antropoceno é uma espécie de bomba-relógio sendo montada, que explodindo, pode pôr em risco todo o sistema-vida, a vida humana e a nossa civilização. Coloca-se a pergunta: que fazemos coletivamente para desarmá-la?    Aqui é importante identificar o que fizemos para que se constituísse esta nova era geológica? Alguns a atribuem à introdução da agricultura há 10 mil anos quando começamos a interferir nos solos e no ar. Outros acham que foi nos meados do século 18 quando iniciou o processo industrialista que implica numa sistemática intervenção nos ritmos da natureza, com a ejeção de poluentes nos solos, nas águas e no ar. Estoutros colocam a data de 1945 com a explosão de duas bombas atômicas sobre o Japão e os posteriores experimentos atômicos que espalharam radioatividade pela atmosfera. E nos últimos anos, as novas tecnologias tomaram conta da Terra, exaurindo seus bens e serviços naturais mas também causando o lançamento na atmosfera de toneladas de gazes de efeito estufa e bilhões e bilhões de litros de fertilizantes químicos nos solos que causam o aquecimento global e outros eventos extremos.

MARTIM PESCADOR GRANDE_santino_frezza

O imperativo categórico é que urge mudar a nossa relação para com a natureza e a Terra. Não dá mais para considerá-la um balcão de recursos que podemos dispor ao nosso bel-prazer, mormente, visando a acumulação privada de bens materiais. A Terra é pequena e seus bens e serviços limitados. Cumpre produzir tudo o que precisamos, não para um consumo desmedido mas com uma sobriedade compartida, respeitando os limites da Terra e pensando nas demandas dos que virão depois de nós. A Terra pertence a eles e a tomamos emprestada deles para devolvê-la enriquecida.

Como se depreende, releva enfatizar que temos que inaugurar o contraponto à era do antropoceno que é a era do ecoceno. Quer dizer: a preocupação central da sociedade não será mais o desenvolvimento/crescimento sustentável mas a ecologia, o ecoceno, que garantem a manutenção de toda a vida. A isso deve servir a economia e a política.

Para preservar a vida é importante a tecnociência mas igualmente, a razão cordial e sensível. Nela se encontra a sede da ética, da compaixão, da espiritualidade e do cuidado fervoroso pela vida. Esta ética do cuidado imbuída de uma espiritualidade da Terra nos comprometerá com a vida contra o antropoceno.

Portanto, faz-se mister construir uma nova ótica que nos abra para uma nova ética, colocar sobre nossos olhos uma nova lente para fazer nascer uma nova mente. Temos que reinventar o ser humano para que seja consciente dos riscos que corre, mas mais que tudo, que desenvolva uma relação amigável para com a Terra e se faça o cuidador da vida em todas as suas formas.

Há 65 milhões de anos caiu um meteoro de 9,6 km de extensão na Península de Yucatán no México. Seu impacto foi o equivalente a 2 milhões de vezes a força da uma ponderosa bomba nuclear. Três quartos das espécies vivas desapareceu e junto com elas todos os dinossauros depois de terem vivido por 133 milhões de anos sobre a face da Terra. O nosso ancestral, pequeno mamífero, sobreviveu.

Oxalá desta vez o meteoro rasante não sejamos nós, sem responsabilidade coletiva e sem o cuidado essencial que protege e salva a vida.

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Artigo publicado em:

https://leonardoboff.wordpress.com/2017/10/01/a-era-geologica-do-antropoceno-versus-a-do-ecoceno/

Leonardo Boff é articulista do JB on line e esceveu um resumo da nova cosmologia: De onde vem? O universo, a Terra, a vida e o espírito, Mar de Ideias, Rio 2017.

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Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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