Eu avisei… – tirinha de Fabiano dos Santos

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http://fabianocartunista.wixsite.com/portfolio
https://www.behance.net/FabianoCartunista
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Caminho das Águas – soneto de Leila Míccolis; foto de Santino Frezza

rio paranapanema_santino_frezza

Caminho das Águas

                                              – Leila Míccolis


Cada rio é a vitória de seus elementos:
superando o desnível do solo, ele o trata,
pois na terra que leva, outra terra aclimata,
evitando desgastes e abalos violentos.

Vilarejos viceja. Transporta alimentos.
É fronteira e até porto; também serve à mata
e às pessoas sensíveis que inspira e arrebata
pelos seus simbolismos e os seus movimentos.

Sendo um Bem, todo rio é um milagre expressivo,
que equilibra o planeta e ao salvá-lo o melhora,
num trabalho de amor e de muita insistência.

É vital preservá-los, pois são seres vivos,
defensores do clima, da fauna, da flora,
do mistério de Gaia e da própria existência.

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Foto de Santino Frezza: “Rio Paranapanema: É um rio ainda limpo, praticamente livre de poluição, coisa rara, senão única, neste estado de São Paulo. A foto foi feita em Piraju-SP, num trecho em que as águas fluem, livres dos represamentos que as mantêm encarceradas até sua foz.”

Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Leila Míccolis é um patrimônio da Literatura Brasileira !
Para conhecer mais de suas artes:

http://www.blocosonline.com.br/sites_pessoais/sites/lm/index.htm?fbclid=IwAR3UYYwZN71svDaNLbgJ0TkCmNHsLTQwBla8zO6XSxN-U2bfojeHEoHVQpc

https://leilamiccolis.wordpress.com/

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Os Skrotinhos – Angeli

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Até os ventos contrários nos conduzirão ao porto seguro – artigo de Leonardo Boff; foto de Santino Frezza

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Revoada cabeças-seca  e colhereiros, por Santino Frezza, Tanquã, Piracicaba, SP, Brasil.*


Até os ventos contrários nos conduzirão ao porto seguro

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  –  Leonardo Boff, 20/09/2018.

O povo brasileiro se habituou a “enfrentar a vida” e a conseguir tudo “na luta e na marra”, quer dizer, superando dificuldades e com muito trabalho. Por que não iria “enfrentar” também o derradeiro desafio de fazer as mudanças necessárias, no meio da atual crise, que nos coloquem no reto caminho da justiça para todos.

O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. O que herdamos foi a Empresa-Brasil com uma elite escravagista e uma massa de destituídos. Mas do seio desta massa, nasceram lideranças e movimentos sociais com consciência e organização. Seu sonho? Reinventar o Brasil. O processo começou a partir de baixo e não há mais como detê-lo nem pelos sucessivos golpes sofridos como o de 1964 civil-militar e o de 2016 parlamentar-juridico-midiático.

Apesar da pobreza, da marginalização e da perversa desigualdade social, os pobres sabiamente inventaram caminhos de sobrevivência. Para superar esta antirrealidade, o Estado e os políticos precisam escutar e valorizar o que o povo já sabe e inventou. Só então teremos superado a divisão elites-povo e seremos uma nação não mais cindida mas coesa.

O brasileiro tem um compromisso com a esperança. É a última que morre. Por isso, tem a certeza de que Deus escreve direito por linhas tortas. A esperança é o segredo de seu otimismo, que lhe permite relativizar os dramas, dançar seu carnaval, torcer por seu time de futebol e manter acesa a utopia de que a vida é bela e que amanhã pode ser melhor. A esperança nos remete ao princípio-esperança de Ernst Bloch que é mais que uma virtude; é uma pulsão vital que sempre nos faz suscitar novos sonhos, utopias e projetos de um mundo melhor.

Existe, no momento atual, marcado por um quase naufrágio do país, certo medo. O oposto ao medo, porém, não é a coragem. É a fé de que as coisas podem ser diferentes e que, organizados, podemos avançar. O Brasil mostrou que não é apenas bom no carnaval e na música. Mas pode ser bom na agricultura, na arquitetura, nas artes e na sua inesgotável alegria de viver.

Uma das características da cultura brasileira é a jovialidade e o sentido de humor, que ajudam a aliviar as contradições sociais. Essa alegria jovial nasce da convicção de que a vida vale mais do que qualquer outra coisa. Por isso deve ser celebrada com festa e diante do fracasso, manter o humor que o relativiza e o torna suportável. O efeito é a leveza e a vivacidade que tantos admiram em nós.

Está havendo um casamento que nunca antes fora feito no Brasil: entre o saber acadêmico e o saber popular. O saber popular é “um saber de experiências feito”, que nasce do sofrimento e dos mil jeitos de sobreviver com poucos recursos. O saber acadêmico nasce do estudo, bebendo de muitas fontes. Quando esses dois saberes se unirem, teremos reinventado um outro Brasil. E seremos todos mais sábios.*

O cuidado pertence à essência do humano e de toda a vida. Sem o cuidado adoecemos e morremos. Com cuidado, tudo é protegido e dura muito mais. O desafio hoje é entender a política como cuidado do Brasil, de sua gente, especialmente dos mais vulneráveis, como índios e negros, cuidado da natureza, da educação, da saúde, da justiça para todos. Esse cuidado é a prova de que amamos o nosso pais e queremos todos incluídos.

Uma das marcas do povo brasileiro, bem analisada pelo antropólogo Roberto da Matta, é sua capacidade de se relacionar com todo mundo, de somar, juntar, sincretizar e sintetizar. Por isso, em geral, ele não é intolerante nem dogmático. Ele gosta de acolher bem os estrangeiros. Ora, esses valores são fundamentais para uma globalização de rosto humano. Estamos mostrando que ela é possível e a estamos construindo. Infelizmente nos últimos anos surgiu, contra a nossa tradição, uma onda de ódio, discriminação, fanatismo, homofobia e desprezo pelos pobres (o lado sombrio da cordialidade, segundo Buarque de Holanda) que nos mostram que somos, como todos os humanos, sapiens e demens e agora mais demens. Mas isso, seguramente, passará e predominará a convivência mais tolerante e apreciadora das diferenças.

O Brasil é a maior nação neolatina do mundo. Temos tudo para sermos também a maior civilização dos trópicos, não imperial, mas solidária com todas as nações, porque incorporou em si representantes de 60 povos diferentes que para cá vieram. Nosso desafio é mostrar que o Brasil pode ser, de fato, uma pequena antecipação simbólica de que tudo é resgatável: a humanidade unida, una e diversa, sentados à mesa numa fraterna comensalidade, desfrutando dos bons frutos de nossa boníssima, grande, generosa Mãe Terra , nossa Casa Comum.

É um sonho? Sim, aquele necessário e bom.

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https://leonardoboff.wordpress.com/2018/09/20/ate-os-ventos-contrarios-nos-conduzirao-ao-porto-seguro/

Leonardo Boff escreveu Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência? Vozes 2018.

* Escolhi esta linda foto do Amigo Santino Frezza, por inspirar um sentido de coletividade na diversidade, e movimento conjunto, leve, como é este belíssimo texto.

Quando solicitei sua permissão para publicá-la, recebi esta sábia resposta:

“O texto de Boff traz a marca da sabedoria que lhe é peculiar.

O parágrafo:

Está havendo um casamento que nunca antes fora feito no Brasil: entre o saber acadêmico e o saber popular. O saber popular é “um saber de experiências feito”, que nasce do sofrimento e dos mil jeitos de sobreviver com poucos recursos. O saber acadêmico nasce do estudo, bebendo de muitas fontes. Quando esses dois saberes se unirem, teremos reinventado um outro Brasil. E seremos todos mais sábios.”

leva-me direto à união Lula (saber popular) / Haddad (saber acadêmico).
Voando juntos, os cabeças-secas (lembram-me da cabeça de um nordestino queimada pelo sol e pela secura da caatinga, em cujo interior há um cérebro atento às necessidades dos irmãos e aos meios de solucioná-las) e os colhereiros (lembram-me de um acadêmico que colhe a sabedoria popular) simbolizam a união que reinventará um outro Brasil.” – Santino Frezza, 26.09.2018.

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Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
http://www.wikiaves.com.br/perfil_sanfrezza

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Na dimensão do vento – Pedro Brasil Jr

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Na dimensão do vento

                                           Pedro Brasil Jr.

Que me permita este dia em todo o seu esplendor, que neste início de tarde ensolarada e com um soprar diferente do vento, possa eu me dar ao luxo de parar no tempo e criar na moldura da janela uma tela multicor com todas as primordiais cenas que se foram. Algumas ainda ontem, outras na semana passada e muitas outras nos meses cujas folhas arranquei do calendário.

Há um sibilar quase inaudível nesta prosa com o vento, mas eu consigo ouvir sua mensagem toda própria.

Hoje não sou mais quem eu fui no passado. Havia ilusões que encobriam as verdades que nos cercam. Havia um caminhar pelas ruas com total despreocupação, e as pessoas pareciam viver de verdade, sem atribulações; sem maiores problemas do que, por exemplo, arrumar uns trocados para levar pão e leite para casa ao final do dia.
Não havia desconfiança a respeito do desconhecido que vinha pela calçada em sentido contrário e a sombra da gente era simplesmente a sombra.

Nesta janela por onde minha visão se perde vou, aos poucos, trocando as páginas deste álbum de imagens e fazendo descobertas novas sobre tanta gente que já partiu ou daquelas que simplesmente deram as costas e seguiram seu norte.

Então um silêncio profundo e amargo toma conta do ambiente e eu ouço o palpitar do meu coração e percebo que em toda a estrutura neurológica acontecem movimentos extraordinários que rapidamente reorganizam os arquivos da mente, da alma e do próprio coração.

Sim; eu lembro, eu revivo e de tudo ali retiro lições para prosseguir.
Existem instantes em que eu olho para o meu amor e lhe faço um apanhado de questionamentos. E fico sempre sem as respostas, porque aceitando ou não, elas estão todas definidas em minhas perguntas. Então respiro fundo e concluo que não existe outra maneira senão seguir amando, mesmo que a correspondência não esteja à altura, mesmo que falte um sorriso franco, um beijo verdadeiro, um abraço daqueles tipo quebra-ossos ou então; de um momento de entrega que possa levar a gente a uma outra dimensão.

O vento que sopra, que canta, que levanta telhas é o mesmo que leva as folhas secas para longe, para uma dimensão toda própria enquanto por aqui os talos se preparam para eclodir novas e verdinhas folhas. Então o amor deve ser bem assim; um amontoado de folhas secas ao léu, ao sabor do vento porque mais à frente nascerão folhas novas que vão trazer novas histórias.

E eu sigo aqui estático diante de minha moldura neste começo de tarde com céu azul, canção do vento e dança da copa do arvoredo. Minha tela fica concluída, mas é um emaranhado de tantas cores que não se pode definir absolutamente nada. Mas eu sei que ali está toda a essência da minha vida, da vida dos que me cercam, da vida dos que um dia estiveram pelo meu caminho e a vida de tantos outros que passaram rapidamente para deixar uma ínfima folhinha, resultado da robustez de suas árvores que chegaram em forma de eternas e proveitosas lições.

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http://guardiaodoportal.blogspot.com.br/

Imagem enviada por Pedro Brasil Jr.

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Sanhaçu-papa-laranja – foto de Santino Frezza, haiquase de Clarice Villac

SANHAÇU PAPA LARANJA_Santino_Frezza

olhos tão atentos

sanhaçu-papa-laranja

desperta respeito

.

haiquase de Clarice Villac
foto de Santino Frezza

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Para ver mais fotos de aves por Santino Frezza:
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Com Trump tempos dramáticos nos esperam – artigo de Leonardo Boff; cartuns de Carlos Latuff

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Com Trump tempos dramáticos nos esperam

  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  Leonardo Boff, 28/06/2018

A humanidade está sob várias ameaças: a nuclear, a escassez de água potável em vastas regiões do mundo, o aquecimento global crescente, as consequências dramáticas da Sobrecarga dos bens e serviços naturais, indispensáveis à vida (the Earth Schoot Day).

A estas ameaças se acrescenta uma outra não menos perigosa, aventada já por vários analistas mundiais como os prêmios Nobéis Paul Krugman e Joseph Stiglizt.

Recentemente um economista ítalo-argentino, Roberto Savio, co-fundador e director geral da Inter Press Service (IPS), agora emérito, escreveu um artigo que nos deve fazer pensar sob o título:”Trump veio para ficar e mudar o mundo” (ALAI-America Latina en Movimiento de 20 junio de 2018).

Aí afirma que Trump não é uma causa da nova desordem mundial. Ele é um sintoma. O sintoma de tempos em que os valores civilizatórios que davam coesão a um povo e às relações internacionais, são simplesmente anulados. O que conta é o voluntarismo narcisista de um poderoso chefe de Estado, Trump, que no lugar destes valores colocou o dinheiro e os negócios pura e simplesmente. São estes os que definitivamente contam. O resto são perfumarias dispensáveis para o domínio do mundo.

Kids in Cages - by Carlos Latuff

O “America first” deve ser interpretado como “só a América” conta e seus interesses globais. Em nome deste propósito, já pré-anunciado em sua campanha, Trump rompeu tratados comerciais com velhos aliados europeus, a Aliança do Transpacífico e abriu uma arriscada guerra comercial com seu maior rival a China, impondo sobretaxas de importação de produtos que somam bilhões de dólares, além de cobrar taxas sobre o aço e outros produtos a outros países como o Brasil.

É próprio de figuras autoritárias e narcisistas fazerem pouco das legislações. Quando lhes convém passam por cima delas sem dar maiores razões. Para Trump vale mais a invenção de “uma verdade” do que a verdade factual mesma. O “fakenews” é um recurso presente em seus twitters. Segundo Fact Schecker, desde que assumiu a presidência disse cerca de 3.000 mentiras. Verdade e mentira valem na medida que respaldam seus interesses. Curiosamente venceu os principais pleitos e tem a aprovação de 44% da opinião pública e de 82% de aprovação do Partido Republicano.

Não tolera críticas e cercou-se se assessores súcubos que lhe dizem para tudo “sim” sob o risco de serem sumariamente demitidos.

Trump's options for the U.S. Supreme Court_carlos_latuff

Caso seja reeleito, o que não é improvável, o estilo de governo e a negação de toda ética poderão tornar-se irreversíveis. Não esqueçamos que Hitler e Mussolini também foram eleitos e criaram as suas mentiras vendidas como “verdades” para todo um povo.

Podemos estar face a um mundo marcado pela xenofobia, pela exclusão de milhares e milhares de imigrantes e refugiados, pela afirmação excessiva dos valores nacionais em desprezo dos demais. O crime maior,foi, qual Herodes moderno, separar filhos pequenos de seus pais, colocados em jaulas,mostrando-se sem qualquer sentido de humanidade e de compaixão. Tal crime clama aos céus.

Tais atitudes transformadas em políticas oficiais podem ser fonte de graves conflitos, cujo “crescendo” pode até ameaçar a espécie humana. Cerca de 1300 psicanalistas e psiquiatras norte-americanas denunciaram desvios psicológicos graves na personalidade de Trump.

carlos_latuff_march2018

Como será o destino da humanidade, entregue a um narcisista deste jaez, cujo paralelo só se encontra em Nero que se divertia assistindo o incêndio de Roma, com a diferença de que agora não se trata de um incêndio qualquer mas da inteira Casa Comum. Como é imprevisível e a toda hora pode mudar de posição, assistimos, assustados e estarrecidos, quais serão os futuros passos.

Que Deus que se anunciou como “o apaixonado amante a vida” (Sabedoria 11,24) nos livre de tragédias que poderão ocorrer, dada a irracionalidade de alguém que anuncia “um só mundo e um só império” (o império norte-americano).

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Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor e escreveu Salvar a Terra-proteger a vida: como escapar do fim do mundo, Record, RJ, 2010.

https://leonardoboff.wordpress.com/2018/06/28/com-trump-tempos-dramaticos-nos-esperam/

Para ver mais artes de Carlos Latuff:

https://www.facebook.com/realcarloslatuff

https://www.instagram.com/carloslatuff/

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